Tuesday, September 21, 2010

Samba para Endrigo...

Quando eu chego ao Rio
Eu me arrepio
De ver tanta coisa linda
Solta no ar.
Eu que vim do frio,
Me delicio
A ponto de ter vontade
De não voltar.

Cada um na rua
É um rei na sua
Maneira tão popular.
Sou tão batuqueiro
Quanto qualquer
Tocador de pandeiro é.
Sou tão mandingueiro,
Tão brasileiro
Quanto um cidadão qualquer.

Mas afinal
Até que eu não sou mau de bola,
Mas não sei sambar na escola,
Nem sou bom de ginga, não.
Mas a questão para mim
É que ser sambista
É mais do que um bom passista
Bem mais do que um folião.


vina e toquinho

Tuesday, August 31, 2010


Paira um aperto no peito
Me deu saudades da minha cidade
Me fazendo repensar que o ninho é mais estranho quando se esta dentro.
E só.
Saudades de uma ou duas tardes sozinha, ou da companhia.
Saudades das ruas tortas e apressadas
Das lojas sem faxadas
E das dores, dos amores que por la deixei
Saudades de vocês.

Em ano de centenário
Saudades do Pacaembu de quarta feira
De Flávia e sorvete
Do papo e da gente
E da cama e da TV
Saudades de você.

Enfim saudades
De mãe, irmão, Zélia, puska.
As bibys; hoje eu sou metade saudade
E a outra metade também
Saudades assim
Que saudades quando mata
Não diminui o anseio em mim

Gullar....

O que eu vejo

me atravessa

como ao ar

a ave


o que eu vejo passa

através de mim

quase fica

atrás de mim


O que eu vejo

- a montanha por exemplo

banhada de sol -

me ocupa

e sou então apenas

essa rude pedra iluminada

ou quase

se não fora

saber que a vejo.

Thursday, August 19, 2010

é

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.


Vininha

Saturday, August 14, 2010

13

Por Mino Carta


Escolha certa, precisa, calculada, a de Lula ao ungir Dilma e ao propor o confronto com o governo tucano que o precedeu e do qual José Serra se torna, queira ou não, o herdeiro. Carregar o PSDB é arrastar uma bola dlue ferro amarrada ao tornozelo, coisa de presidiário. Aí estão os tucanos, novos intérpretes do pensamento udenista. Seria ofender a inteligência e as evidências sustentar que o ex-governador paulista partilha daquelas ideias. Não se livra, porém, da condição de tucano e como tal teria de atuar. Enredado na trama espessa da herança, e da imposição do plebiscito, vive um momento de confusão, instável entre formas díspares e até conflitantes ao conduzir a campanha, de sorte a cometer erros grosseiros e a comprometer sua fama de “preparado”, como insiste em afirmar seu candidato a vice, Índio da Costa. E não é que sonhavam com Aécio…

Reconhecemos em Dilma Rousseff a candidatura mais qualificada e entendemos como injunção deste momento, em que oficialmente o confronto se abre, a clara definição da nossa preferência. Nada inventamos: é da praxe da mídia mais desenvolvida do mundo tomar partido na ocasião certa, sem implicar postura ideológica ou partidária. Nunca deixamos, dentro da nossa visão, de apontar as falhas do governo Lula. Na política ambiental. Na política econômica, no que diz respeito, entre outros aspectos, aos juros manobrados pelo Banco Central. Na política social, que poderia ter sido bem mais ousada.

Friday, August 13, 2010

TOMARA

Tomara que eu inda te encontre um dia
Sozinha, cansada de recomeçar
Querendo de novo a minha companhia
Pedindo desesperada pra voltar

Quem sabe
Com isso a solidão se acabe
Fazendo
Com que essa minha dor se vá

Um dia
Eu mato essa melancolia
Tal como ela me mataria
Se eu me poupasse de esperar

PCP

sexta 13

Significado de Otário

adj. e s.m. Bras. Gír. Que ou o que se deixa enganar facilmente; ingênuo, simplório, bobo.


-descobri que eu sou o pior tipo de otária que existe; auto-otária-

Sunday, August 08, 2010

Have a Gudin day!

O meu samba vício do momento:

Por eu ser como eu sou

Por eu ser como eu sou
Sempre trago um carinho na minha canção
Por eu ser como eu sou
Deixei viva a lembrança no seu coração
Por eu ser como eu sou
Eu não tenho defesa pros males que o amor causou
Mas possuo a malícia de ver quando a hora do fim já chegou

Mas você eu não sei
Ainda manda lembrança
Ainda pede noticia
Ainda tem esperança
Quer viver iludida
Reabrir a ferida
Se eu jamais me despeço é porque pra você
Meu possível regresso alimenta sua vida

Tenso

- Na sua próxima TPM, vou te trancar num quarto e você só sairá de lá quando passar...
- Não vou ter nem comida ?
- Vou colocar a comida por debaixo da porta.
- E a gente não vai nem conversar ?
- Não! Tudo! Menos, conversar!
- :/

Saturday, August 07, 2010

s2

Tanto de mim
Que distâncias venci
Pra descobrir
O espetáculo ali
Vendo a rosa dos ventos brotando
Ali de um disco ao alcance da mão
E aí?
Como explico uma tal sensação?

Tanto de mim
Se afastando do cais
Tantas palavras vitrines de nós
Despenquei na poesia inquietante
Do alto dessa construção
Só de ouvir
Quase fico sem respiração...

Sou quem seu canto ouviu
Feito um caro amigo eu sou
Um entre tantos que abriu
Seu diário e folheou
Intimidades na luz
O universo num clarão
Versos diversos que a vida
Traz numa canção

Tanto de mim eu dedico a você
Sempre serei quem te viu, quem te vê
Se eu cresci
E acompanho os novos acordes do seu violão
Quem seguiu
Sabe, Chico, foi meu coração.



ainnnn Gudim....

Friday, August 06, 2010

Millor

O problema de ficar na fossa é que lá só tem chato.

Thursday, August 05, 2010

VAI, lacraia

Fui atacada por uma LACRAIA na madrugada de segunda para terça, exatamente as cinco e tanto da manhã. Senti algo subindo em meu pescoço e ainda deu tempo de pensar em qualquer coisa antes de por a mão para coçar e descobrir que era uma LACRAIA. Dei um berro sai correndo do quarto e só fui voltar lá vintequatrohoras depois. Sim, acreditem ou não, eu abri a janela do quarto pesquei com um rodo algumas peças de roupas, minha carteira e chinelo e fui dormir em um hotel. Chorei de nojo, de raiva e de desespero-TPM-.
A LACRAIA nunca foi achada. Provável que tenha ido embora pro lugar de onde veio. Hoje fui comprar uma cama achando que o colcão no chão seja perigoso demais para alguém que mora em uma casa no Catete. Alguém me disse que surtei e que preciso de tratamento. Fiquei pensando que esta pessoa esta certa. Depois ri de tudo isso. Depois não ri mais e dividi o valor da cama em suaves prestações. O vendedor me disse; a Sra pode pagar em dez vezes sem juros! SEM JUROS. O valor é quatrocentosesessentaequatroreais. Depois ele continuou. Se a senhora pagar em duas vezes sai por trezentosenoventareias! Aí eu disse; olha o juros indo embora! E o vendedor ficou sem graça.
Trezentosenoventareias é o preço de uma lacraia, eu falei pra ele.
Ele; que foi senhora? Não entendi.
E eu; nada não, esquece! Aceita crédito?

é que aí me bate uma nostalgia paulista...

Do blog da LIA

Teve uma noite em que teve uma festa DA HORA em uma cobertura em plena Praça da República. E foi uma daquelas noites, que eu não sei se é a lua ou o sol, mas tem umas noites (raras) em que fico e me sinto mais bonita que o normal e aí que tinha uns cinco caras dando em cima de mim e eu me achando. A pistinha rolando solta, o DJ mandando muito, eu rebolando na pista e começa a tocar um Nirvana. Eu adoro! Eu tava lá chacoalhando o cabeção e gritando ié ié iéééé, e um dos cinco que tava me xavecando tentou a jogada "sou descolado e crítico". Acho que ele acha isso legal. Mas o ponto é que ele falou na minha orelha:
- Nirvana é masturbação de adolescente.
Eu nem titubeei:
- ããrr, e você não gosta de se masturbar?
E saí ié ié iééé


Bel, cê lembra? Eu te contei na hora!

Monday, August 02, 2010

Deslumbre de mês oito

vivi foi uma doce ilusão desalgada, onde corria eternamente brincando de ciranda, de criança.
você não acreditaria nos absurdos que plantei e como eles brotaram nesse meu mundo esquisito, como esta dificil viver além paixão. ou quão difícil é pensar em você sempre. sendo que não pensar, doí muito mais. e como os erros são monstros famintos.
eu fecho a porta sem me ver, sem me atrair. como as luzes trocaram de lugar. como eu ainda não troquei a lampada e portanto, não tenho nada meu. você não iria se surpreender em saber como ando com tempo de não ter mais. e de como é rasteiro e bonito quando eu vejo o tempo passar. igual quando eu observava as folhas em moinho indo embora do quintal. e quando eu te via, se nossas falas coubessem em um abraço apertado. se nossos erros foram sintomas da alma. eu estranhei.
dos dias em que me perseguia, rata, rateira de mim. e encontrei um amador que como eu, fugia também do que fosse real. e como vacilamos e na contra mãos nasceram poemas tolinhos, lindos, feito criança que era. porque fomos muito utopicos a ponto de nadar em ar e morrer afogados.
não existia uma paquetá, andamos por uma ilha de papel. você iria rir de tudo isso e me sabotar no pensamento. era tão melhor que eu nisso. e se perdeu também. iria rir com seu ar importante de todas as minhas esquisitices e não iria se assustar, pois era esquisito também. iria gostar de saber que hoje eu tenho um amor que me faz querer bem.
eu lhe narria seus erros. você não concordaria com tais enganos. eu ficaria a vontade em enloquecer sob seus olhos, pois foi assim que você me ensinou.
é assim; na maioria das vezes eu sou motivo de chacotas e muitas das vezes nem sei porque estou destrilhando. e tenho um defeito asqueroso; odeio ver erro meu nos outros. como se o outro me denunciasse assim sendo. o que sou, já era. e já não estou aguentando essa onde de dar nomes engraçados a tudo que sinto, como se minha neurose fosse a última moda no espaço unibanco entre os semi-cults da alma de areia. eu me entrego, sou culpada! sou o destroço mais renovador e espero longividade. o que me assusta por conta de meu terrível deslexo para com meus insanos deslumbres infantis, igual ao de todos vocês já aqui citados.

Thursday, July 29, 2010

au au

“Dentro de mim há dois cachorros: um deles é cruel e mau; o outro é muito bom. Os dois estão sempre brigando. O que ganha a briga é aquele que eu alimento mais frequentemente”

provérbio inglês

Tuesday, July 27, 2010

Desafio

Éramos eu e um cavalo
No seu galope macio
Pulando cerca de arame
Pisando morro de pedra
Andando em leito de rio

Éramos eu e um cavalo
E era um cavalo bravio
Casco de lâmina forte
Andar de chão de montanha
Crina de véu e pavio
Ele bufando fagulha



E eu contraído de frio
Mandado pelo barroso
Éramos eu e um cavalo
Indo de encontro ao vazio


Éramos nós e os cavalos
Feitos do mesmo feitio
Vindo de todos os lados
E sobre eles sangrentos
Seus cavaleiros sombrios


Éramos nós e os cavalos
A nos causar calafrios
Todos os outros já mortos
Por essa causa contrária
Que se chamou poderio


E eu com uma bala no peito
Meu alazão nos baixios
Caímos da cordilheira
Deixando a causa nas lendas
Prá quem quiser desafio

PCP e Dori

Thursday, July 15, 2010

eu

Toada do Amor
E o amor sempre nessa toada!
briga perdoa perdoa briga.
Não se deve xingar a vida,
a gente vive, depois esquece.
Só o amor volta para brigar,
para perdoar,
amor cachorro bandido trem.

Mas, se não fosse ele, também
que graça que a vida tinha?

Mariquita, dá cá o pito,
no teu pito está o infinito.


Drummond

Wednesday, July 14, 2010

A Roleta Russa

O vôo estava marcado para as seis e dezoito. Exatamente neste horário, foi que ele se configurou como atrasado. A princípio, era apenas meia horinha por conta do tempo no Rio. Perguntei ao funcionário da Web Jet sobre a nova legislação referente a atrasos aéreos. Ele disse apenas isso; não vai demorar mais que meia hora senhora, acredite. Acreditei. Decolei precisamente as oito da manhã. Aterriso em Guarulhos as nove e meia. Ponte aérea, Rio -São Paulo, o mal tempo fez com que ficássemos sem poder pousar por alguns loooongos minutos. O ônibus que te leva de Guarulhos as regiões centrais custa trinta e um reias. Trinta e um reais, seis e dezoito da manhã, passagens de noventa e nove reais. Eu estou ficando louca ou babaca. Ok, os dois. O ônibus me leva até congonhas. De lá até minha casa foram mais vinte reais. Chuva do caralho na cidade e o taxista tem a pachorra de me comunicar:” Olha aviso logo, pra senhora não reclamar, que cobro dois e trinta pela bagagem.” Ô moço, o que você quer que eu diga ? Que opção que eu tenho de recusar o seu taxi aqui no aeroporto e com essa chuva ? Sou obrigada a pagar. E ele muito sincero me respondeu; é.

É. Dois e trinta são seis e dezoito são noventa e nove reais e são as pessoas que mais me chamam de senhora, que tem menos respeito por mim. Ai dizem que eu sou nervosa, cabeça quente a porra toda. Mas é que umas das coisas que mais me deixa puta, é quando eu fico na mão. É essa pseudo liberdade que me irrita. Caralho, porque é que o taxi vai me cobrar uma mala de treze kilos ? Eu não entrei naquele taxi com uma geladeira! Que adianta este senhor ser “honesto” e me avisar antes que cobrará por isso ? De novo, que opção tenho eu ? Todos ou pelo menos a grande maioria dos taxis de congonhas vão me cobrar isso. O que o taxista espera de mim? Que eu saia na chuva, pela vinte e três de Maio atrás de um taxi dois reais e trinta centavos mais baratos ?
O que o funcionário da Web Jet espera de mim ? Quando o quadro de informações anuncia que o portão de embarque do meu vôo agora é de outro vôo eu já não sei mais onde vai decolar o meu vôo? Fui ao funcionário mais próximo, isso lá no Santos Dummond. Ele estava tão próximo que tive que sair e entrar da sala de embarque duas vezes. Eu digo, estou ficando uma babaca!

Eu não posso escolher a companhia de avião mais competente, se é que ela existe. Tão pouco escolher um taxi que não me cobre taxa de bagagem no meio do aeroporto de um dia chuvoso na cidade de São Paulo.
Posso escolher entre setenta canais da TV por assinatura, por exemplo. Mas não posso escolher quando eles a tirarão do ar para fazer uma reparação preventiva. Posso escolher um cinema bom. Mas não posso escolher o preço da pipoca custar quase o preço do ingresso do filme. Posso escolher entre a verdadeira maionese ou a da marca concorrente. Mas sabe, as duas me matarão. Ai alguém joga aquele papo cansado dizendo que somos nossas escolhas. Ora, precisar escolher já não é escolha. E sabem, elas geralmente não são tão fúteis como essas que citei acima.

Tuesday, July 13, 2010

Paulo Henrique Amorim



Conversei com o David Ogilvy, um mestre da publicidade.
- David, o Galvão diz que narra a Copa de 2014 e depois cai fora. Você acredita nisso ?

- Quem decide isso não é o Galvão.

- É a Globo, respondi, rápido.

- Também não é, meu filho. É a publicidade.

- Publicidade ? Mas ele tem um contrato com a Globo …

- E quem paga a conta ?

- É. O anunciante, tive que concordar.

- Você sabia que a Globo perde dinheiro com o futebol ?

- Perde dinheiro com a Copa, perguntei ?

- Eu falei FU – TE – BOL !

- Então, por que transmite futebol ?

- Por causa da audiência e para não dar espaço à competição.

- Mas, na Copa não pinta mais grana ?

- Pinta um pouco mais, mas a grana do anunciante é a mesma.

- Como assim ?

- Vamos supor que o Itaú tenha 100 de verba para a televisão.

- Isso não estica na Copa ?

- Pode ser. Mas o que o Itaú faz é botar mais dinheiro na Copa e tirar de outro lugar. Não é por causa da Copa e da Globo que ele vai jogar dinheiro fora.

- E se a grana vai para outro lugar, a Globo perde, porque a Globo tem a maioria do “outro lugar”.

- You gotcha !

- Quer dizer que o dinheiro da Copa não se multiplica por dois ?

- Não.

- E a Copa de 2014 no Brasil … vai pintar mais grana ?

- Ela é no Brasil, mas o custo dos direitos é o mesmo. É da FIFA e é caro.

- E a Copa da África do Sul pode atrapalhar ?

- Claro. Foi uma Copa chocha.

- A Globo vai ter que devolver dinheiro aos anunciantes por causa da queda da audiência depois que o Brasil saiu ?

- Não. Isso não existe na Globo.

- Mas uma Copa chocha sempre atrapalha.

- Claro. Atrapalha a venda seguinte. A audiência de hoje condiciona a próxima verba do anunciante: e se Brasil sair logo ?

- Quer dizer que, mesmo que a Globo ganhe dinheiro com a Copa, ela perde com o Brasileirão e os campeonatos regionais.

- Exatamente, embola tudo. A grana do anunciante é a mesma e o dinheiro da Globo vai todo para o mesmo lugar.

- E ainda tem os custos de cobertura da Globo.

- Como você diz, tem os 864 comentaristas que dizem o óbvio ou o inútil.

- 865, corrigi.

- E ainda tem o salário o Galvão, não é isso ?

- Sim, respondi. Deve ser coisa pouca.

- Quem pode calar a boca do Galvão é o anunciante. E mais ninguém.

- E ainda tem o desgaste do Galvão, o cala a boca, Galvão. Não é chato patrocinar um cara com rejeição ?

- Você patrocinaria o Drácula ? , perguntou o David

- Por isso que a Globo calou o bico quando o Galvão disse que depois de 2014 ia embora ?

- A Globo sabe aonde o calo dói.


Paulo Henrique Amorim

Thursday, July 08, 2010

Caso Bruno X Copa do mundo = gol da mídia

Delicado falar disso, mas infelizmente o momento pede. O caso do goleiro do Flamengo, Bruno esta em todos os jornais e sites de internet, incluindo os sites de relacionamento e afins, como por exemplo, o twitter. Pessoas indignadas, piadinhas sem graça, piadinhas com graça e até textos de reflexão como esse mesmo que escrevo. Parece que a mídia acertou ao explorar tal acontecimento que somada a nossa decepção em sair de uma copa do mundo, nos deixou mais efusivos. Viagem minha ? Pode ser, mas ao meu ver, a notícia do escândalo envolvendo um jogador de futebol logo agora, caiu como, ops, uma luva. Entendam que eu não estou aqui defendendo esse esportista. Particularmente confesso que acredito sim que ele possa ser o mandante deste crime grotesco, horripilante. Aliais, não sei porque ele não foi indiciado quando admitiu em entrevista, que já "saiu na mão com mulher". O que também me deixa encafifada é a maneira como nós, sociedade, conduzimos tal assunto. O jeito que a mídia esta explorando o caso é com mesmo furor que fez a cobertura da copa; sensacionalista, apelativo e até comercial, apenas para arrancar audiência e despertar um estranho conforto, caso o goleiro seja preso. Seria um golasso da justiça.

Que justiça seja feita no caso Bruno. Um crime, mais um, tão brutal merece atenção da “melhor comissão técnica” do judiciário. Que nós, palpiteiros de plantão, saibamos filtrar toda a avalanche de infornações que nos são atiradas a cada segundo desse moderno mundo bundano. E mais do que isso, vamos sair da posição de torcedores, e evoluir para a de observadores. Quem sabe esse não seja um novo começo para entender melhor esse lugar estranho e muitas vezes cruel que nos acolhe.

Deixo abaixo, para que não esqueçamos a declaração dos direitos humanos. Ela serve tanto para os culpados quanto para inocentes.

Fica a dica!

Wednesday, July 07, 2010

Declaração dos direitos humanos

É que as vezes a gente esquece...




Artigo
I

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo II.
1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Artigo III.
Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo IV.
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.

Artigo V.
Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo VI.
Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.

Artigo VII.
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo VIII.
Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo IX.
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo X.
Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir sobre seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Artigo XI.
1. Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo XII.
Ninguém será sujeito à interferência em sua vida privada, em sua família, em seu lar ou em sua correspondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo XIII.
1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.

Artigo XIV.
1. Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XV.
1. Todo homem tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo XVI.
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
3. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

Artigo XVII.
1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo XVIII.
Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular.

Artigo XIX.
Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Artigo XX.
1. Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo XXI.
1. Todo ser humano tem o direito de fazer parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo XXII.
Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo XXIII.
1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo XXIV.
Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.

Artigo XXV.
1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio gozarão da mesma proteção social.

Artigo XXVI.
1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo XXVII.
1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir das artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios.
2. Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística da qual seja autor.

Artigo XXVIII.
Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo XXIX.
1. Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XXX.
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

Tuesday, June 29, 2010

Merecimento

Você me parece
Necessário como uma prece.
Que se diz e se reza quando um mal aparece
Mas veja bem, você não merece
Um fio, de toda a beleza que aqui se oferece
Você andou falando
Somente o que lhe valhia
Pois bem, aqui esta sua carta de alforria;
Vá em paz, pois sem paz
Como você mesmo diz
Não dá
E se esse for teu mal?
E se fizer parte do teu ritual?
Vejo o tempo correr sem fantasia
E te vejo num balcão de um velho dia,
Relembrando a orgia,
Bebericando sem companhia
Para depois voltar a sua casa vazia
E se esse for teu mal?
E se fizer parte do teu ritual?
Não leve a mal o que eu aqui falei
Somente não leve a bem.
A vida serve pra brincar também
E pra fazer samba falando de alguém.
E fazer samba falando de alguém...

Sunday, June 27, 2010

Bucowisky, again

Há bastante deslealdade,
ódio, violência,
absurdo no ser humano comum.
Para suprir qualquer exército em qualquer dia.
E o melhor no assassinato são aqueles
que pregam contra ele.
E o melhor no ódio são aqueles
que pregam amor.
E o melhor na guerra
Finalmente,
são aqueles que
pregam paz.

Aqueles que pregam deus
Precisam de deus.
Aqueles que pregam paz
Não têm paz.
Aqueles que pregam amor
Não têm amor.
Cuidado com os pregadores,
Cuidados com os sabedores.

Cuidado,
com aqueles que
estão sempre lendo livros.

Cuidado com aqueles que detestam
pobreza ou que são orgulhosos dela.

Cuidado com aqueles que elogiam fácil
Porque eles precisam de elogios de volta.

Cuidado com aqueles que censuram fácil:
Eles têm medo daquilo que não conhecem.

Cuidado com aqueles que
procuram constantes multidões;

eles não são nada, sozinhos.

Cuidado:
com o homem comum
com a mulher comum,
cuidado com o amor deles.

O amor deles é comum,
procura o comum.
Mas há genialidade em seu ódio
há bastante genialidade em seu
ódio para matar você,
para matar
qualquer um.

Sem esperar solidão.
Sem entender solidão.
Eles tentarão destruir
qualquer coisa,
que seja diferente
deles mesmos.

Incapazes de criar arte.
Eles não irão,
compreender arte.

Eles vão considerar sua falha
como criadores,
apenas como uma falha do mundo

Incapazes de amar
completamente.

Eles vão acreditar
que seu amor é
incompleto
e eles vão odiar você.

E seu ódio será perfeito.
Como um diamante brilhante.
Como uma faca.
Como uma montanha.
Como um tigre.
Como cicuta.

Sua mais fina arte.

Fica a dica!

Wednesday, June 23, 2010

Quintana

Amor é síntese

Por favor não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise profunda
Quanto mais eu
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braço
E eu serei perfeito amor.

Lhufas

Previsão sempre de tempestade e eu achando que o dia iria ser farto como o vento na cara que bate quando se anda de mini bug em Fortaleza.
Desci dos sapatos, seria a causa. Foi como uma morte lenta igual a de descobrir que o amor no fundo é apenas mais um truque da cartola do coelho, igual eu e você.
Se fosse uma ponte, você me conhece, eu me jogaria. Se fosse uma cidade, eu me mudaria. Sem fugir, fugindo. Claro que eu sei que você não sabe como é. Tive um sonho bizarro onde você cortava com uma espada as costas de um homem que me perseguia. Depois quem sangrava era você. Depois eu, porque te abraçava forte. Ai acordei sangrando e com tanta coisa na cabeça que é melhor nem deixar vir a tona. Aí eu me fui. E continuo igualzinha da silva. Fim.

Wednesday, June 16, 2010

Vininha de Moral

A brusca poesia da mulher amada

Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente...
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor – oh, a mulher amada é como a fonte!
A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?

Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios
E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...

Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias
Pousada no fundo estará a estrela, e mais além.



Rio de Janeiro, 1938

Dom de André- Geografia social carioca-

André diz:
ninguém passa da praça da bandeira
muito engraçado isso
todo mundo tem um terreiro em pilares, uma vó em caxias, um mecânico em realengo
mas ninguém senta pra tomar uma cerveja no Méier
hahahahahahahaha
Isabel diz:
HAHAHAHAHAH exatamente!

Monday, June 14, 2010

validade

Se eu vou destruir o amor se o amor se auto destruiria se o amor tem prazo de validade se sem o amor eu escorregasse no tempo /se sem amar eu não sou mais eu /se sem amar sentiria falta de mim /se sem amar eu ficasse muda cheia de idéias. Todas cretinas. Se amando eu não tenho nada a dizer. Coração, ah coração. Se amando eu ficasse no direito de ser recolhida de cena, como a atriz que não entrou no palco porque se apaixonou por seus .se eu pedisse licença ao entrar, mansinho. E se eu amando pudesse me salvar de quem sou. Eu não amando afirmasse quem eu seria a cada caso. Se o amor afoga, se amor inunda, se o amor corroí, se o amor destoa. Se não amar chateia se amar vazio, se não amar vadia. Sem eu amando, seria. Eu não amando teria. Se eu amasse mais não caberia. se eu não amasse, não seria? Se eu amo hoje. Se eu não amo amanhã. Se eu durmo em seus braços hoje, quero todas as manhãs. Se eu pedisse tempo e parasse o relógio e me visse de longe. Que cor seria. Quem cor seria. O que eu teria para me dizer. Se eu amar mais você, ou deixar de te amar. Quem dos meus escreveria?

Malatesta neles!

"(...)Façamos com que aqueles que morrem de fome e frio compreendam que seus sofrimentos são incompreensíveis ante lojas repletas de mercadorias que lhes pertencem...(...)" - MALATESTA, Errico

Wednesday, June 09, 2010

Compreendi sinceramente sua dor
Ao te ver passar
Andavas deslumbrante
Mas porem
Sem brilho de olhar

Constatei neste instante,
Por opinião
Que a tua luz venceu

Tu que eras constantemente
Lembrada por sorrir
Hoje só faz
A memória ter dor

Partisse sem magoa
E com coração
Que só batia orgulho

Hoje que estas sozinha
E sem um lar
Qualquer lugar pra ti
É um porto seguro

existe sempre um mal maior

Deixa esse seu mal passar
Deixa que ninguém tem dó
Deixa esse seu mal passar
Sempre existe um mal maior

É como na felicidade - não vá pensar que o amor
é a solução
Não pense não
Porque muito amor
Também faz mal ao coração
Também faz mal ao coração
Mas deixe o seu mal.....

Mar e ela

Ao se olhar no espelho, Mariela pensava; mas de novo essa cara! Essa fuça maldita!
E seguia, como se nada na lida, fosse nada da vida. Ao sentar, tomando sorvete num calor de matar; sorria. Que alivio doce, suspirava. Depois tomava água. Ajuda a digerir, comentava. Então saia larga de desejos sem fim a passear pela Cidade de São Sebastião. Um dia ainda me caso com ele. Com quem Mariela? Eu perguntava indagado. Com ele, oras! O Sebastião. E eu ria de suas conclusões e vontades sem nexo que surgiam de tempos em tempos, quando ela ficava por três minutos, muda mudinha. As vezes chorava do nada eu me achegava; porque choras, Palominha? Ela sorria. “Não estou sofrendo, acredite. Choro sorrindo e as vezes choro triste, triste. Mas não sofro. Choro porque quero ser como o mar.Você se lembra quando fui morar em Minas Gerais? As vezes, quando fazia muito sol, eu tinha saudades do mar. E então chorava para sentir o salgado das lágrimas, assim eu lembrava de todas as vezes que mergulhava em Copacabana. Quando eu era pequena, achava que os mortos que empurravam as ondas, todos juntos e por isso que elas vinham tão fortes e grandes, porque são muitos mortos já. Não sei o que penso hoje. Eu sempre quis ser sereia, depois ficava em baixo da escada imaginando ser secretaria de uma grande empresa internacional. Já quis ser veterinária e astrônoma, só porque era lindo o nome, e é lindo se interessar tanto pelas estrelas a ponto de transformar isso, em profissão.”

Eu a olhava tanto e se chegasse mais perto de seu rosto, podia ver o brilho no olho. O olho querendo ser mar. e o hálito de baunilha que não me deixava mentir que aquele tinha sido um caloroso domingo de verão.

Na volta pra casa, ronronava em meu ombro e depois, cheia de sono me dizia; vou sonhar com você. Vou sonhar que deitada em seu peito eu consiga lhe dizer tudo que sinto. O quanto de você que já esta em mim. E tanto de mim que dei a você. Se você tivesse, e no meu sonho teria, coragem de ouvir.
Boa noite meu amor.

E assim, Mariela serrava os olhos cheios de água do mar.

Monday, May 24, 2010

Um Lamento Para Mariela

Quando ela me deixou,
ficou em meu paletó seu perfume e meus desenganos
Hoje, sou um quadro empoeirado
Homem frio, destemperado
Xingo ela todo dia
“Aquela vadia”
E depois caio em prantos
Leviano

Passei a fumar os cigarros que ela fumava
Quando de noite,ela de calcinha, suspirava em fumacinhas
Olhava pra mim e ria
Vadia, vadia

Eu dizia a você Mariela
Só não me senta na janela.
Me da um medo, uma aflição

E você não me ouvia, vadia, vadia...
Inda pensei comigo
Se você se espatifa no chão Mariela,
Quem vai cuidar da minha otite?
Algodãozinho, azeite quente...

Você foi fria
Foi cretina
Eu te avise Mariela,
Meu único medo,
Era você nessa janela.

Thursday, May 20, 2010

Mariela

Mariela,

Minha dama de azul marinho. Nunca vi alguém gostar tanto desta cor....aquela ingrata só tinha sutien, calcinha e meias azul marinho. Andava e cagava quando usava algo mais transparente e seu sutien de aeromoça aparecia. Foi assim que a conheci. Mariela. Tinha esse nome porque a bisavó decidiu. Consagrou-lhe as maiores ameaças, caso a moça, ganhasse outra graça. Cisma mesmo. O pai não achou bonito nem feio, sua mãe não queria contrariar a avó e assim nasceu, no bairro de Fátima, Mariela azul marinho, minha pombinha. Ela emputecia se eu a chamasse assim. Diziam que pombos eram ratos alados, transmissores de doenças e tinham ruídos horríveis. Foda-se, eu dizia. Você é minha Paloma. Então a maldita sorria. Polomba podia. Mariela achava que os pombos espanhóis eram mais dignos que os da praça xv, eu morria de rir.
Pombos, oras bolas, são todos iguais. Prefiro palomas, ela falava. Depois me dava um beijo e saia sorrindo para o curso de inglês. Essa merda de curso esta durando. Deve ser as horas que Mariela passa na Lan Hause do Largo do Machado. Depois pego ela comendo uma esfiha de carne. “Como é cara a esfiha daqui!” Reclama. Mas sempre come, para a alegria dos marmanjos que lhe atendem com um bom humor do qual nunca desfrutei. Mariela é a sensação da galeria Olido. Eu mordia os lábios e andava firme a parecer que levaria numa boa os olhares tarados daqueles descendentes de árabes fazedores de esfiha. Depois voltávamos pra casa com Mariela pronunciando palavras novas que aprendera na aula. Table, cake, hause, paper. Porra, ela não calava a boca.
Já em casa, a primeira coisa a fazer era tirar os sapatos, as meias e dar um berro que até me causou encrenca com a vizinha. Ela simplesmente gritava na porta de casa. (Não havia argumento que lhe podaria, ela dizia que o lance do berro é uma tática, técnica, japonesa para deixar a energia pesada do lado de fora da casa. Diz que aprendeu quando freqüentou por duas ou três vezes aulas de tai chin xan no aterro do flamengo. Mariela logo desistiu pois as aulas começavam pontualmente as seis da manhã; “só velho acorda tranquilamente a essa hora!“ Resmungava.) Depois, ia pro banho com o habitual radinho de pilha onde Mariela se dava o prazo de quatro musicas para terminar de se lavar. Dizia ela que era sua receita de economia ; logo mais a água do mundo vai acabar. E você sabe qual vai ser o primeiro lugar onde os EUA irão invadir, não? Meu filho, vai ser a terceira guerra mundial. Igual eles fazem La no Iraque, por conta do petróleo. E assim, sofisticada a seu modo na política internacional. Mariela sentava com os com o jantar nas coxas, cabelos molhados e assistia ao Jornal Nacional. Fazia um comentário ou outro, mas gostava mesmo quando Arnaldo Jabor falava. Ria alto e dizia; esse cara é foda! Gesticulava e olhava pra mim, com aqueles olhinhos pretos feito azeitona portuguesa. Só depois que assistia a novela, Mariela era toda minha. Principalmente se era terça-feira e passava aquele programa, Casseta&Planeta. Ela se levantava da poltrona e dizia; gente! Será que só eu não acho graça mais nesses caras? Eu a entre olhava sem responder. Então ela vinha de mansinho se sentar a mesa comigo. O que você esta fazendo? O de sempre pombinha...Hunf, ela respondia. Vamos pro quarto meu bem, lá tem o de sempre também. E ria safada indo em direção ao quarto sem olhar para trás.
Mariela sabia que eu jamais iria me perder no caminho.

Tuesday, May 04, 2010

zó pra constar

Dizem que ela é um caso perdido
Dizem que ela tem amores demais
Mas quando passa e sorri parece tão sozinha
Que eu chego até a pensar
Que ela possa querer meu carinho
Sei que as histórias que contam
Não passam de intrigas
De quem não aceita
Seu jeito de ser e viver a vida
Quando ela some me desespero
Grito seu nome, faço canções
Mas não tenho o poder de mudar seu destino
E nem quero



Paulinho da Viola
Ain, que saudades de escrever...
sem net fica fueda.
Logo mais volto aqui.
Beijos no osso.

Thursday, March 25, 2010

Angeli

Desculpe voltar neste assunto...mas num dá... Angeli se supera demais...amo, amo muito.

Ainnnn...

Não há maior prazer
que a gente se espichar
com os pés no sofá
sem ter nada a fazer
e relaxar,
se acomodar,
ficar no bem-bom
ouvindo um som.

Você vai aprender
é só se acostumar
a ter o que quer
sem sair do lugar,
melhor se houver
mamãe, babá, garçom
prá lhe servir filet
mignon.

Quem já fez
bem sabe como é bom
deitar no chão, ler um gibi, comer bombom.
Ouvir alguém
a recitar Drummond
à meia luz,
a meia voz,
a meio tom.

A gente sem querer
começa a espreguiçar,
o corpo esticar
a cabeça a pender
o olhar pesar
a boca se abrir
e não dá mais prá reagir.
Agora eu já nem sei
tanto falei que deu vontade
de dormir...



edu lobo e pcp

Tuesday, March 23, 2010

G.Rosa

"Um dia, tempos, Tio Terêz o levara à beira da mata, ia tirar taquaras. A gente fazia um feixe e carregava. '- Miguilim, este feixinho está muito pesado para você?'. '- Tio Terêz, está não. Se a gente puder ir devagarinho como precisa, e ninguém não gritar com a gente para ir depressa demais, então eu acho que nunca que é pesado..."

Monday, March 22, 2010

Napolitano

Esperei todos da casa irem dormir para atacar um sorvete napolitano que eu só curto a parte de chocolate. Abri uma lata de leite moça “light”, pois estou ciente que contém 95% menos gorduras e realmente acredito que vou engordar menos. Pego um copo de água e me lembro de Cecília, minha vizinha que não deixava suas duas filhas; Silvinha e Marilia tomarem sorvete sem junto dar goles e mais goles de água sem gelo. Silvinha após brincar de cabeleireiro com Laura na década de 80 ficou com o cabelo muito parecido com o de Malu Magalhães, o que na época e para sua idade foi algo terrível. Laura seguiu bela com seus cabelos de índio. Cecília mãe das meninas e nossa vizinha, foi também a médica que fez meu parto. Eu nasci sufocada pelo cordão umbilical, quase morro sem ar e todos que viram tal cena acreditam que eu estava tendo meu primeiro e mais forte ataque de raiva. Não quis mamar no peito de minha mãe, uma atitude que tomei para protestar meu nascimento. Minha mãe meio hippie na época ficou triste e chorou prevendo que uma criança que não teve o primeiro contato materno, logo após o nascimento, não se criaria bem. Ela só esqueceu que eu morei por bons nove meses La dentro e demorei a sair pois era bom e eu não tinha que decidir nada da vida. Fui uma criança mimada daquelas de se tacar no chão no meio no shopping por não ter uma Barbie loira e magrela. Mas quando bebê fui um ser de luz que só comia (de tudo), cagava e dormia. Pouco chorava. Ninguém conseguiu explicar por que tudo mudou assim, tão drasticamente.
Pintei minhas unhas de verde e acabei de ver Mel Lisboa falar para Felipe Camargo que ele parece um urso gostoso. Nojinho.
Agora vou dormir já que filmes nacionais de qualidade inferior me dão urticária.
Adios, amigos.

Sunday, March 21, 2010

Blé

É de uma covardia essa minha insegurança, que eu nem sei onde eu vou parar. E eu tenho tanto medo de te perder, pois nunca vivi nada igual e sempre me descubro completa e feliz, mas com medo que tudo isso um dia acabe. Porque sabe, eu não tenho talento algum. E sempre fui vista como quem teria
algum sucesso. Ou isso mesmo eu deduzia quando alguém tecia um glorioso elogio a minha pessoa.
Mas o tempo passou e eu não virei a expectativa, porque eu não virei, coisa alguma. E morro de medo de meu jeito inseguro, te sufoque. Eu me sufocaria. E quando eu lhe conto que já passei por poucas e boas por conta da minha cabeça bamba, você ri e até tira um sarro e eu entro na sua brincadeira porque não ha nada melhor do que rir do fato de já ter passado por psiquiatras, terapeutas e afins. E morro mais de medo porque não sei o que fazer da vida e preciso fazer alguma coisa que lhe mostre o quão eu sou também inteligente, independente, igual as pessoas engajadas que você admira.

Mas sabe, isso nem é de todo mal quando eu paro para pensar em uma frase vinda de algum lugar, que é mais ou menos assim; “deus me deu um grande amor, porque eu mereço"*. E se você me faz tão feliz, se eu te faço tão feliz também, quero crer que é porque merecemos. E que nunca, jamais eu te faria algum mal. E que minha sina parece que encontrou um lugar muito do aconchegante pra adormecer, igual eu quando me deito no seu peito e te beijo agradecendo em silencio o homem que você é. Agradecendo poder dar muitos beijos, desses que eu sempre lhe dou, quando tenho ar.
Por fim, penso que
Deus me fez de uma forma cristalina com a condição que seus olhos pudessem julgar.





*

Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus - ou foi talvez o Diabo - deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.

Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.

E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.

Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.

Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde

Drummond

Tv Junk In Your Trunk


Pensar que Cazuza e Pedro Bial eram amigos de infância, me dói. Tava vendo agora os especial da Globo (TV aberta é pros fortes, meus caros), que aliais, é bem melhor do que o filme sobre a vida do cantor, e lá o jornalista, hoje apresentador do BBB, da alguns depoimentos, entre eles, um que diz que Cazuza sempre foi mais inteligente que ele. Ah, não tenho dúvidas. Eu curto o Cazuza. Acho que todo mundo pode reclamar, até a classe média. E porque não? A vida não é um tédio? Mas o Pedro Bial...hoje mesmo li algumas matérias ( é esse o nome que damos as notinhas que os sites de “notícias” colocam no ar?) sobre sua entrevista na Revista Rolling Stone, e fiquei com uma vontade imensa de não comprar a revista. O Bial irrita. E tem um povo que tem raivinha dele porque hoje ele apresenta o BBB. Mas porra, antes ele apresentava o Fantástico! Ele não regrediu em nada minha gente. Mas Bial irrita também porque tem a capacidade de acreditar que intelectualizar o BBB pode o salvar da “vergonha” que é apresentar um programa sem qualidades. Mas a tentativa é tão fracassada que a gente tem ataques de vergonha alheia durante seus discursos nas terças feiras, ao anunciar que vai deixar o programa. Aí é louco porque fica tudo muito engraçado. O programa ridículo, o apresentador a altura e o diretor do programa, mais patético ainda. Já disse e repito; TV aberta é para os fortes. Para os fortes, e para os fracos de bolso. Mas mesmo assim, ter um canal por assinaturas, é poder ver, sei lá, Oprah ao invés de Márcia. E mais alguns documentários desinteressantes desses que fazem sobre o fundo do mar.

Pedro Bial apresenta o BBB, Fernanda Lima apresenta o por toda minha vida, já que o programa dela sobre sexo, não durou nem dois meses. Ana Maria Braga, fala todo dia com um papagaio na rede aberta, Xuxa não bate mais em baixinhos? Angélica apresenta o Passa ou Repassa do Vídeo Show. Jô Soares fala sozinho as onze e meia. Patrícia Poeta é jornalista, assim como Mauricio Mattar, é cantor. Do mesmo jeito que Rodrigo Hilbert, Reinaldo Gianecchini, Paola de Oliveira, Marcio Garcia, e todo o elenco da Malhação, são chamados de atores. André Marques é o futuro Faustão. Sonia Abrão é a eterna malufista que passa o programa inteiro lendo revistas de fofocas e Pânico na TV tira um sarro que já não é mais engraçado. Hoje toda famosa é atriz, modelo, apresentadora, jornalista e passista de escolas de samba. Pura tradição.

Ah...eu amo a TV aberta!

Wednesday, March 17, 2010

você de novo

São nos dias em que me culpo, por tanto me culpar, é que bate uma tristeza. E essa culpa por não saber agir na hora certa, é que me tira da reta. E quando eu tenho calma, tudo parece um sonho, que se realiza do jeito mais bonito, desses que o destino inventa quando esta com tédio de tanto amor, e cansado de inverter versões para o lado ruim das coisas, das pessoas. Que é quando eu me culpo, que não saio do chão. Pois foram tanto erros, tantos passos em falso, desses que logo se desiste porque covardemente não consegue se arriscar. E eu, bem...eu também demorei.
Mas é quando, ao oposto disso, se pisa firme. E não se orgulha de pisar, pois sabe que não fez mais nada que a obrigação. E o quão é difícil tomar a decisão de encarar dar mais que o primeiro passo. Quando eu sento e choro, sem culpa é neste momento que você entra. Você entra e completa um quadro negativo. E me tira de minha mais pura clareza, colocando palha para disfarçar o buraco que vou cair. Que é quando eu caio, sento e choro e faço um drama impossível. Quem vê de fora não saca a premissa. E eu me lavo de lagrimas pensando; me acuse de todos os crimes possíveis, menos os que eu jamais cometeria. Pois são os que eu não cometo, que eu escolho a dedo não cometer. Os outros, cometidos, são frutos de uma covardia de abrir a janela, me enxergar adulta, ser impulsiva, me almejar instantânea. Mas desses, você não me acusa. Pois também os comete. Se somos iguais, até que ponto eu lhe incomodaria?

Friday, March 12, 2010

Adíos, Glauquito...


Glauco era dos nossos. Dos meus.


Daqui do Rio, lendo sobre a morte dele, penso que mataram uma saudade.
Quando me bate saudades da minha cidade, penso na feirinha boboca que rola todo domingo em frente ao Masp, penso no silêncio do aeroporto de Congonhas, onde meus pais me levavam para passear e comer algum doce, tarde já da noite. Penso nos patins, na minha vila, no cine Jamor, no teatro João Caetano, comida de vó, risada de mãe, Boris, o cão, Real bar e lanches... amigos paulistas. Tirinhas, meus pais rindo das tirinhas, minha mãe rindo da D.na Marta, meu pai ria do Geraldão, meu irmão desenha bem pra caralho. Nós quatro comentando o quão genial eram Los três amigos... enfim. Hoje mataram uma saudade.

E como disse Galhardo: o mundo acordou mais xarope.
Concordo... vai entender.

Saturday, March 06, 2010

* *

Se eu ficasse sentadinha,
esperando por você na estrada vazia.
E então, ela não seria vazia.
Se pela sua espera eu criasse viços.
E se a sua espera, eu compusesse traços.
E te esperando, eu criasse força.
E de tanta força, viessem asas.
E se te esperando eu resolvesse sentar.
Se o calor me queima, se eu tenho sede;
Se as asas quiserem voar.

Se eu te esperar e te esperando, virasse outra.
Como em uma metamorfose.
E eu acordasse bandida.
Você passaria pela minha estrada.
Se eu já estivesse cansada, sentida, ofuscada.
Asas para dentro, alma fora.
Se eu te esperasse em plena chuva, depois secasse.
Se eu tivesse fome, mas mesmo assim, te esperasse.
De certeza que estas vindo, morreria.
E se dormisse eu ia. Você passaria calado.
E isso é para não me acordar.

Se eu te esperando, mude muda,.
Se ao te esperar, um montão de coisas,
dessas malucas que passam pela minha cabeça,
fossem acumulando até somar.

Se você passasse na hora errada, eu não iria?
Você, por outro lado, também me esperaria?
Se eu te esperar inteira, inteira sua seria.
Se eu esperaria?
E se não, porque sentar na estrada vazia?

Friday, February 12, 2010

Um dom de André-É carnaval-

André diz:
po...acabram de chegar 4 pessoas na minha casa
3 eu não conheço
Bel diz:
HAAHAHAHAHAHA

Sunday, February 07, 2010

Um dom de André-Domingo a noite-

André diz:
eu to vendo pepe ou nenem no silvio santos
Bel diz:
HAHAHAHAAHAHAHAHAHAHA

Thursday, February 04, 2010

Clarice te mandou recado!

Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você, sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse à minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma.

Monday, February 01, 2010

Um dom de André-sobre o calor carioca-

André diz:
eu estou deixando meu corpo ficar no limite do cansaço pra q não ter de lidar com a humilhação de acordar suado
Bel diz:
HAHAHAHAHAHAHAHA

A gente meio que acaba por entender muitas coisas. A gente que eu digo somos nós, do lado de cá da ponte. Mais do que entende, a gente compreende. Porque, sabe, a situação não é fácil pra ninguém. A gente consegue entender algumas das raivas que vemos pingadas pela cidade, quando é madrugada. E enquanto os culpados dormem trancados, os inocentes se culpam para sempre. E, no entanto, a gente entende. E a gente é foda, porque entender não é apenas aceitar. Entender é ter uma visão maior, daquelas que só a poesia, a beleza da luta, nós dá. E a gente acha foda e a gente paga um pau. Mas, mais do que isso, companheiro, a gente entende. Mesmo quando a situação chega bem pertinho, a gente não culpa. A gente bebe, fuma mais do que o normal, mas não aponta. E ai de quem falar mal dessa gente, que a gente tanto compreende. A gente se revolta. A gente se entende. A gente se olha e balança a cabeça repetindo para sempre que tudo podia ser diferente. A gente bebe mais, e foge mais, mas sempre entende. Por que isso é um dom? Afinal, o que tem demais na gente? E a gente não liga se o mundo não entende, pois, pra nós, o que importa é a gente. A gente e todo mundo que a gente entende. Daí, então, também vem as melodias. E as músicas, muitas vezes, também vêm de gente como a gente. Essa gente que entende. E não se contenta em ver tanta gente, precisando de outras "gentes", para só ser. Só ser gente.
Mas quando o problema é com a gente, a gente não usa de meios decentes. Porque parece que a gente não se compreende. E se a questão é questão de gente como a gente, a gente não sente igual. E fica sempre, como todo mundo que a gente odeia. A gente fica inconseqüente. A gente não entende. E é quando a ferida arde, que a gente nem quer saber quem está na frente. A gente quer mesmo é sair no pinote, saber ser mais forte, bancar o inocente. Porque parece que a gente não sente. E é estranho olhar como a gente fica diferente. Se o erro é com a gente, a gente não quer nunca ser prudente. A gente quer mais é fuder com o outro escandalosamente. Para que vejam o quanto a gente é gente da gente.
E é nessas horas que eu odeio ser gente. Quando sinto que entender "gentes" é não entender da gente. E é nessas horas, que eu penso em toda gente, que mal vê o mundo em volta, antes de apontar para a própria gente. E, cheia de razão, atira a mesma pedra, que ajudou a esconder do parceiro. E é aí que mora o perigo. E é aí que a razão, justo ela, que se envolve com tanta gente, a razão nos torna gente de lá. E a gente de lá são eles que vão se sentar ao nosso lado e dizer com um tapinha amistoso: sabia que um dia você viria. Como se já esperasse a covardia de nossa gente. E, assim, se satisfizesse com a própria gente. E não importa o poeta bonito que você foi. Se quando gente do seu lado, que ousou na luta, precisar de gente e você foi displicente. E eu arrisco dizer até mais: muitas táticas, de lutas a batalhas de guerra, afundariam por conta disso. Falta mais da gente. Mais compreensão com a gente. Falta entender. Falta listar tudo que a gente sente. E não se sentir inocente, nem culpado. Falta a gente poder ser condescendente? Com essa, que a nossa própria gente?

Friday, January 29, 2010


Para poder saber como vai você e poder lhe dar um abraço, daí querer que você fiquei comigo olhando lá pra frente e eu vou sim estar sempre com medo. É que eu não sei que me dá, mas sempre fui dessas. Mas que eu tenho também de olhar. E eu olho, acredite, pois sendo assim, aprendi que não sei medir. Logo, entro numas igual super homem e nas mais suaves, sou como formiguinha. Não vou pedir que encare. As vezes, nem eu encararia. Mas sei da profundidade. E o que são nossos olhares de cima, pra frente. Ou mesmo deitados, na cama, faz sol.
Para poder saber como você sente. E então aproveito para dizer o que sinto também. Sempre saio na frente, pois aí sim, ora veja, sou destemida. Então curso o contrário, você, sabia, tem duvidado. Agora as peças são nossas. Para saber como pegar na sua mão e ter o melhor de você dentro de mim. E o que seria de mim, sem o pior de você. Para saber como me confortaria. E se acaso você se ausentasse, eu me defenderia. Para que eu saiba mais de mim. Para saber como é quando você me tem. Depois você vai embora. E eu fico com seu silêncio também. Quantas coisas passam na sua cabeça, que você tranquilamente diria que é exagero meu. Sou um exagero seu. E desculpe, não sei lidar com meus próprios grilos a solta por todo apartamento quente. Suado.
Para poder saber como você me veria reagindo. E eu lhe veria sentindo desconfortável. E então você adia, e me diz; não é nada daquilo que você pensa. E onde eu, nessas horas, vou com minha cabeça. Para saber mais de você me vendo. Queria que fosse orgulho. Mas de certo, cometerei algum erro ao tentar pronunciar palavras belas. Ou mesmo um mim, que não conjuga verbo. Eu sairia arrasada?
Para saber se eu fosse só sucesso. E na sua cara, um alívio. Aí sim, meu caro, seria ruim. Sairia arrasada? Ao contrario de todos que eu já tive, eu não lhe inspiro orgulho. E é meu frescor no ar, meu desenho, minha feições que lhe chamam? Eu sairia desta, conturbada. Mas meus dias por si só, tem essa característica. Nada de novo.
Por fim, e se o por fim próximo esta, para saber como vai você nesta estrada se partindo ao meio. Eu do dois lados. Eu só de um. E você, escolhendo. Ai eu paro.
Tarde demais.

Wednesday, January 27, 2010


Se eu ficasse sentadinha, esperando por você na estrada vazia. E então, ela não seria vazia. Se pela sua espera eu criasse viços. E se na sua espera, eu compusesse traços. E te esperando, eu criasse força. E de tanta força, viessem asas. E se te esperando eu resolvesse sentar. E se o calor me queima, se eu tenho sede. Se as asas quiserem voar. E se eu te esperar e te esperando, virasse outra. Como em uma metamorfose. E eu acordasse bandida. Você passaria pela minha estrada. Se eu já estivesse cansada, sentida, ofuscada. Asas para dentro, alma fora. Se eu te esperasse em plena chuva, depois secasse. Se eu tivesse fome, mas mesmo assim, te esperasse. De certeza que estas vindo, morreria. E se dormisse eu ia. Você passaria calado. E isso é para não me acordar. Se eu te esperando, mude muda,. Se ao te esperar, um montão de coisas, dessas malucas que passam pela minha cabeça, fossem acumulando até somar. E você passasse na hora errada, eu não iria? Você, por outro lado, também me esperaria?
Se eu te esperar inteira, inteira sua seria. Se eu esperaria? E se não, porque sentar na estrada vazia?

Tuesday, January 26, 2010

enfim...

Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria

Monday, January 25, 2010

Um dom de André

André diz:
se for bom sem mim...sofro
se for ruim sem mim...sofro
se for ruim comigo...sofro
se for bom comigo...sofro por saber q posso estar me viciando em uma coisa pior q crack q é a esperança
Bel diz:
uahauahauhauahauhaahahahahahahahahhaa

Tuesday, January 19, 2010

sucedeu assim

Xeilitrus e o que esta se passando
Vontade de trintus e noventa mil quase nadas de tufos na minha maior ânsia e eu parei.
Vivenciei meu coração aflito e mandaram que ele se acalmasse, acalmei. Acalmou-me em seu abraço e mais alguns beijinhos no rosto porque eu chorava igual maluca ao ver meu espelho refletido em outros olhares. Descobri que não sou a mesma. E tudo que começou assim, não ficou sem graça. Dormi quietinha e queria você para toda uma eternidade que não existe. Acordei não querendo mais. Pois gosto de tempestades e você é tão calmo, igual estrada vazia no fim de tarde. Igual acontece o amor. Ou como eu correndo tão forte. Depois sem ar. Depois tenho fome e saio correndo de novo, sem correr. Só vou me embora. Japão, Barcelona, Iugoslávia. Todos nós juntos, dentro de um opala dourado. Quero revanche da vida. Perdeu, perdi. Perdemos todos? Ai eu paro. Paro para me enfeitar. Saio de pica, estouro na cara do cara e choro de novo. Chorando pra você. Mas você não me vê. Nem sabe querido que eu sou uma alucinada. Mas choro. E te tenho aqui dentro; foi forte. Ai eu penso em mil coisinhas e tenho o dia inteiro para meu nada ser incapaz de gerar. Xelitrus, entonces me disparo. Parfictus. Alcanço? Sento, leio uma revista. Você não poderia supor minha reação. Quer vir? Ai eu pensei. Que tipo de pergunta hipócrita é essa? Quer vir como? Se já me sinto ao seu lado? Revista lida. Eu chorando de novo. Ai acabou.

Monday, January 11, 2010

Ratos


Era uma vez um monte de ratos. E milhões de acontecimentos que roem as ocasiões. Era uma vez um monte de ratos roendo as roupas dos reis falastrões. E um monte de ratos, os mesmos roedores de sempre, cuspindo pro alto. Era um círculo de um monte de eras. E era uma vez moças também. Os ratos tinham a imensa liberdade de se hipocrisar por aí, sem ao menos se importar quem iam espezinhar. Os ratos, muitos casados com moças, fazendo carinho nos pés de outras moças, juravam não se importar. Se o rato roesse o pé da moça, ela seria uma vaca. Ou uma galinha. E mais um monte de outros nomes que os ratos parados comentam no calor da Zona Norte, sentados num bar qualquer, vendo a rataiada passar. São todos muito orgulhosos. E tem vezes que os ratos avançam e as moças respiram fundo. E tem dias que ninguém respira, nem mesmo eles.
Era uma vez muitos ratos em volta de muitas moças. Ratos olham pras moças e nada ali pode exprimir a solidão que sentem. Se os olhos dos ratos fossem tão verdadeiros quanto os corações das moças, de ratos, eles passariam a ser moços, como alguns que existem por aí. A verdadeira solidão de quem mora no bueiro, desacreditado, fazia carinho. Conversinhas e tititis e as moças, sentadas, vendo tudo de longe. A cerveja, o cigarro, o fedor que rondava a mesa, pois ratos fedem quando se comunicam. Era quase um insulto, depois foi-se descobrir que o pior defeito dos ratos é, na verdade, motivo de lágrimas. Por isso as moças se entristeceram. Pobres ratos que, no auge de sua mais profunda solidão, roem a poesia que os circulam. Pobres ratos são aqueles que dão às moças bom-dia. Bom-dia, querendo lhes dizer: quero ser seu. Só seu. Me abrace, sou um rato estúpido e coitado. Mas as moças não entendem. (Faz de conta que os ratos fossem das vacas, das galinhas e que nada pudesse mais me dar pena. Nem as caras dos ratos ofendidos, tamanha minha alegria.)

Tuesday, January 05, 2010

É,ué...

"Você é diferente
Só gosta das praias e areais
Eu quero o mar corrente
Que nem sei pra onde me leva
Eu quero ver a treva, eu quero o abismo
Eu quero o cataclisma, eu quero os temporais
Não sei ficar assim como quem chega ao fim
Com âncora jogada ao fundo
Contemplando o mundo
Sem saber dos ventos
Sem saber nem mesmo os pontos cardeais

Não quero ter apenas
O seu mar de água serena
Eu quero muito mais
Os maremotos, os rodamoinhos e os vendavais
Porque a bem da verdade
É só na tempestade que eu me sinto em paz"


Pedro Amorim/ PCP

2010 (2)


Sobre a asa e o Falcão

Depois disso, eu entrei no quarto e me olhei no espelho, estranhei mesmo, após tudo que passei, que meu cabelo estivesse melhor do que no momento em que saí para comer. Eu sou difícil de olhar nos olhos, por pura vergonha de que se alguém me fitar profundamente, me descubra inteira. Se estou nua, corro de vergonha. Como quem esconde o sexo, caso precise esconder. E não confio em meu rosto que contém minhas marcas de tudo por onde andei e não consegui enxergar. Minha cara sou eu de verdade, por isso tenho medo e vergonha do olhar. Aos poucos, vou melhorando, juro. Olhei-me com pavor danado de que meus olhos pudessem me dar qualquer conselho aquela hora da madrugada. Arrumei minha cama, tirei os lençóis já sedentos de suor, coloquei outros limpos e cheirosos. Liguei o ar, dobrei roupas, joguei coisas no lixo. Me faz bem jogar coisas no lixo. Não vivo sem lixeira. Gosto de tê-las sempre por perto, qualquer canto meu terá algo para se jogar fora. Gosto também de arrumar minha bolsa, e foi bem isso que fiz. Deitei na cama e chorei. Como se eu armasse todo o cenário para se chorar. Chorei pouco, li alguma coisa, contos de Clarisse e chorei mais. Chorei porque era absurdo o quanto eu era todas as frases. E fiquei com raiva de não poder ser Clarisse.

O mundo anda muito ao meu redor. Sinto que estou sem a imaginação que me é necessária para ser válida e aceita como alguém que vomita palavras. Me sinto fraca e insuportavelmente menor. A menoridade está me sufocando, como quem engasga com aquelas balas redondas de corante. E o mundo continua sendo só eu, diminuída. Como se eu nunca pudesse perdoar meus vícios, meus erros. De não poder ser, apenas porque preciso que uma feche-se porta, para outra abrir, entende? Gosto de deixar tudo entreaberto. Como quem ainda pode voltar. Não! Melhor dizer assim: deixo tudo entreaberto, como quem não consegue sair. Sou prisioneira de meus fardos. De minhas mentiras que adoro me contar para não me encarar.

Estou aprendendo a lidar. O tempo anda mais rápido que eu nessas horas lentas. Lenta sou eu. Te disse que era um erro, que se fosse, ah se fosse, ia ser futuro. Futuro é tão amanhã, que até me arrepia. E aí? Já estou lá? Alguém andou me lendo e disse que estava tudo bem. Alguém me andou lendo e disse com um olhar, entendo como você está. Quero que se foda, que se foda toda. Curiosidade é uma doença transmissível e sem cura. Gosto de saciar. Eu lhe contei, não? Como aquele dia foi importante para mim. Não disse? Falo agora. Foi mesmo especial. Porque consegui ser uma verdade só. E olhei nos seus olhos com um medo do inferno e voltei bem quentinha. Logo depois, assustei. E as pessoas ao redor vivendo. E eu.

Eu sou aquela mulher que gosta da terceira pessoa.
Gosto assim ó:
Ela me disse que era uma mulher forte do caralho, mas bastou algumas biritas para que ela mostrasse ser frágil como porcelana. Ela tem um olhar forte de quem já passou muito tempo da vida sem óculos para não enxergar os rostos, as placas, as neuras. Porque, desse modo, achava também que as coisas, as pessoas, não viam ela. E tudo via. Ela mandou fazer um monte de expectativas, como quem vai viver de felicidade clandestina para sempre, igual no conto de Clarisse. Igual quando é páscoa e você já esta ciente onde o chocolate está escondido, mas prefere seguir as patinhas de farinha do coelhinho para ler as dicas de onde achar o que já se sabe. E depois brinda a emoção. Como se alguma coisa fosse, de fato, pura novidade.

Lispector

Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato.

Friday, January 01, 2010


2010

Paula falou que 2010 vai zerar. Fiquei pensando que quem zerar, vai perder. Não fui quem ganhou na mega sena. Tenho um azar filho da puta com jogos de azar. Foi quando mesmo que eu te disse que tinha paciência? Não sei o que quero. Mas quero estabilizar. Estou a caminho, foi isso que me disseram. Só que eu odeio trânsito e coisas lentas, daquelas que parecem tão distantes, como ontem a gente preso em Copacabana, depois de surtar na praia. Se bem que chegamos. Eu cheguei. Seja bem vindo ao novo ano! Nada para zerar? É melhor eu pensar bem. Foi quando mesmo que eu te disse que gosto deste teu jeito de quase não assumir as coisas ? Estamos aos poucos, mas faz calor e eu tenho sede e quero muito deitar na rede, tranquila. Mas daqui, meu caro, ainda não vejo nada. Entendo que dei alguns passos, porque de onde eu estava a paisagem já é outra, mas sabe... às vezes me bate uma revolta e quando Janeiro chegar, juro, também vou me decidir. Porque, é justo, vendo sob seu ponto de vista: estamos indo devagar. Não, não estamos, eu já percebi. Não é a lentidão dos atos que me coça, mas é que no fundo, meu bom, sei que você ainda está decidindo. E isso me deixa louca, maluca, de te chatear, de me chatear. E eu soube de tuas regras, na marra, e esqueci de te avisar que respeito muito tudo isso e tenho, sim, um carinho sem fim. Mas, saiba, xadrez não é meu jogo preferido. Então eu me pego refém de alguns poemas, porque é nessas horas que a arte faz sentindo, quando a gente sente. E os poemas às vezes me traem, pois estou esperando a sublime primavera e quero ser calma e não meter os pés pelas mãos. Como você saberia? Acredito que saiba? Não acredito em nada. Fico sem graça e insegura. Fico falando coisas que não lembro, aliás, boa questão. O que foi que eu lhe disse ontem? Só me lembro das três últimas palavras, que foram: “ não está sozinho” e você respondeu: “gostei”. Gostou? Aposto que nem lembra. Também não lembraria se eu fosse você. Acordei cansada. Dormi pouco e mal e o dia foi bom. Bom Janeiro pra nós. Ou fevereiro. Agora nem sei mais.

Feliz 2010

André diz:
eu ontem dei um vexame...acabei na casa de uma família em q eu defendi a idéia de q o sobrinho mais velho era gay
Bel diz:
UAHAUAHAUHAUAHAUAHAUAHAUAHUAHAUAHAUAHUA