Saturday, December 27, 2008


BEL-São Sebastião- diz:
fez senac ele, engenharia ambiental
M. diz:
nussa, nem sabia q inha eng lah!
BEL-São Sebastião- diz:
hahaa tem sim AMBIENTAL
M. diz:
AUehea.. q isso faz?
M. diz:
vira disksexo tds eles?
BEL-São Sebastião- diz:
uahauhauhauahua
BEL-São Sebastião- diz:
não sei, mas __****____ é o maior putão
M. diz:
nada prejudica mais o meio ambiente do que uma mulher subindo pelas paredes, faremos de tudo para proteger o ecosistema!
M. diz:
Tss.. piada de nerds e eu ..

Thursday, December 25, 2008

"Os pinheiros assobiam, a tempestade chega:
Os cavalos bebem na mão da tempestade.

Amarro o navio no canto do jardim
E bato à porta do castelo na Espanha.
Soam os tambores do vento.

'Overmundo, Overmundo, que é dos teus oráculos,
Do aparelho de precisão para medir os sonhos,
E da rosa que pega fogo no inimigo?'
Ninguém ampara o cavaleiro do mundo delirante,
Que anda, voa, está em toda a parte
E não consegue pousar em ponto algum.
Observai sua armadura de penas
E ouvi seu grito eletrônico.

'Overmundo expirou ao descobrir quem era',
Anunciam de dentro do castelo na Espanha.
'O tempo é o mesmo desde o princípio da criação',
Respondem os homens futuros pela minha voz."

Murilo Mendes
(Poesia Liberdade-1947)




Ninguém amparou meu cavaleiro quando ele surgiu doente. Se eu descobrisse, me mataria. Me atiraria do prédio, para sempre. Para ir, indo devagarzinho embora, junto de ti. Mas acontece que eu descobri, e não me matei. E o que se seguiu foi muito esquisito e eu bem, eu também, sou bem esquisita. Quando vivi uma novidade, era ele. Meu cavaleiro adoentado, indo embora e eu não saberia dizer, adeus meu velho, adeus. Eu não soube fazer visitas, eu não soube evaporar as angustias e dizer para você que tudo ia ficar assim, ou assado. Pois eu não sei de nada. Eu tinha um medo terrível de te ver enforcado pela vida, daquela janela escrita. Eu não era parte daquela nuvem da qual pensei em me atirar quando você descobriu que tudo estaria definitivamente diferente, para sempre.

Tudo isso para dizer que eu ganhei uns olhares e perdi tantos outros com a sua ida.
Sabe, na verdade, você foi embora me ensinando a temperar a vida.
Mas me tirou de mim mesma.

Eu vi um menino correndo
eu vi o tempo brincando ao redor
do caminho daquele menino,
eu pus os meus pés no riacho.
E acho que nunca os tirei.
O sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei.
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga.
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou.
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.

Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
o tempo não pára no entanto ele nunca envelhece.
Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são.
É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão.
Eu vi muitos homens brigando. Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta,
é a coisa mais certa de todas as coisas.
Não vale um caminho sob o sol.
É o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.

Tuesday, December 16, 2008


-Certamente alguém contara este fato melhor que eu. Mas a escrita se fez compulsa em mim, sem ao menos verificar antes se eu a faria com destreza.-

Ele era um assassino. Quem mata alguém na porrada, é um assassino? Quantos são os nomes que podemos dar as coisas facínoras que acontecem no mundo, da qual a natureza humana excluiu como comportamento normal?
Ele era um assassino. Foi assim que o chamaram quando ele matou aquele homem na porrada. Motivo, não teve. O motivo era favas. Que cor é sua camisa? Verde. Não gosto. Gosto de branco, matem aquele cara. E uma vida inteira, dessas igual a nossa, toda infinita, foi-se embora naquele momento. E o assassino, seguiu-se assassino.
Um belo dia lamentou tudo isso e pulou da cama querendo lavar a mancha de sangue que tinha em sua alma, mas nada ali removia. E ele seguiu com essa dor por anos. Mudou de vida, de mulheres, de amigos, focou suas especialidades em outros nós e foi muito bom no que fez. Mesmo com a dor que picava, principalmente a noite, quando uma lembrança impedia que seus sonhos fossem a diante.Odiava-se por ter feito parte daquilo e agora sentia uma estranha-nojenta saudades, de correr, de matar, de vomitar as tripas do mundo aos olhos de quem quisesse ver. Por que as tripas do mundo não podem ser escondidas.
Dormiu engolindo lembranças, viveu trocando hábitos, deixando a veia para trás, tomando doses diárias de um mundo que não era o dele. Que era o meu.

E é aí que eu entro neste conto. Eu vivia sentadinha de perna de índio na vitrine da realidade. Curiosa, vendo o assassino. Ele era o herói que meus contos de fadas jamais permitiram contar. Ele era muita coisa que sempre tinha a palavra “cuidado” atrás.
Eu sou a menina mais medrosa do mundo. Eu me arrisco tão pouco, que sempre dói muito toda essa cautela. O assassino inveja isso. Eu invejo o assassino.
Tempos atrás, ele veio me procurar e me pôr na parede sobre causos de uma vida nada. Sobre besteiras daquela que se diz quando se bebe trocentas cervejas na esquina de um bar. Ele não esbravejou. Não disse ao menos, um palavrão. Enquanto eu, do outro lado, medrosa, gritava perguntando se ele era Deus.Falou cada palavra num tom meigo, nem parecia que estava me odiando por eu não estar seguindo suas regras. Contou-me parte de sua correria excluindo todo seu passado mais bonito. E eu já estava sentadinha, esperando ele me contar historias de perna de índio.

-O assassino queria me roubar.-
O assassino me roubou. Roubou tudo aquilo que ganhei, que usufrui, tudo aquilo que me formou. Roubou meu amor pela poesia, pelo violão sete cordas daquele homem. Ele me roubou e disse bem assim: “você não entende nada disso”.
Como se isso não fosse minha vida, assassino, como se isso não me pertencesse, desde o dia que eu nasci.
Sabe de uma coisa? Tire tudo de mim. Dispa-me de todas minhas ridículas injurias, de meus legados fodidos. Jogue na minha cara meus medos. Conte-me com razão, sua razão. Mas jamais, assassino, jamais tente me roubar a poesia. Essa sim bateu a porta de minha casa, bem antes de você as sabe-las.Quando você me conta um verso, assassino, eu vomito a poesia inteira.

(Sabe de uma coisa? Tenho lutado para saber também.)

Thursday, November 27, 2008


(Me desculpe e obrigada)

Desatinei na oitava nuvem do céu lilás de um dia subis calmo cintilante. Quando as borboletas laceravam entre estar vivas e se preparar para a morte. Sonhei alto, fingindo ser azul. Sonhei calmo, pois queria ser humana.
Sonhei com você dia desses. Volta e meia nos meus sonhos, somos juntos. Acordei querendo uma realidade tediosa que não me pegasse de surpresa para acasos loucos, daqueles que tanto me viciam. Você aceitou brincar de aliança logo no primeiro dia sem mesmo saber dos meus gostos. Eu não falava sua língua, mas nossas necessidades perdidas fizeram um acordo. Não foi paixão? Como saber? Abraços quietinhos e iluminações pós-coito, pós-conversas longas onde você sem duvida falava mais. Enquanto eu observava sua vida vivida em mil dias, mil horas. Um conto de fada, como você aceita a batalha da labuta, como brinca de ritmo, como adora viver.
Eu, do outro lado do mundo, me esforçando para achar tudo uma gracinha, me empenho de graça em achar vida nas pessoas dispostas. Alguém com olhos de vidro, com força de bomba, como se a realidade jamais pudesse alterar seu humor.
Enquanto eu rolava na cama com o tédio doentio que peguei desta classe média sem remédio. Nos colamos, encantados. Atrás de sonhos que jamais contaremos um ao outro: eu tenho um sonho. – Me conte. Não conto.Não sei contar.

Tuesday, November 25, 2008


Desatai o Futuro


O futuro
não virá por si só
se não tomarmos medidas.
Pega-o pelas orelhas, komsomol!
Pega-o pela cauda, pioneiro!

A comuna
não é uma princesa fantástica
com quem
de noite se sonha.

Calcula,
Reflete,
mira bem
e avança!
Embora sejam miudezas,
O comunismo
não reside apenas
na terra,
no suor das usinas.
Senão também no lar,
à mesa,
nas relações de família,
nos costumes.

Aquele que
no decorrer do dia
anda rangendo palavrões
como um eixo de carroça
ressecado,
aquele que
fica pasmado
quando geme a balalaika,
esses
não atingiram o talhe
do futuro.

Nas trincheiras
manejar metralhadoras,
não é apenas nisso
que consiste a guerra.

O ataque
à família,
ao lar,
não é para nós
ameaça menor.

Quem não agüentou
a tarefa doméstica
e dorme
no bem-bom
das rosas de papel,
esse
não atingiu o talhe
da poderosa vida
do porvir.

Qual uma peliça
o tempo também
roído
por vermes cotidianos.

Às vestes poeirentas
de nossos dias
cabe a ti, komsomol, sacudi-las!


Maiakovski [1925]

Sunday, November 16, 2008


(Eles são dois por engano. A noite corrige.)
-Eduardo Galeano

E se chover sapos, nós sairíamos correndo. E de baixo do posto de gasolina fechado, iríamos nos assustar e não acreditar. Como tudo na vida que não choca mais. Igual quando o Jornal Nacional decide qual vai ser minha próxima angustia. Igual quando o supermercado decide qual vai ser minha mais nova comida congelada preferida. E no cinema, o filme da vez, estará circulando na boca dos cults que tomam cervejinha num buteco meio limpo, meio sujo na R. Augusta. E mais tarde, vão para um sambinha se deliciar com os músicos que jamais poderão participar de suas profundas discussões sobre o crime, sobre o PCC. Afinal, cada coisa no seu lugar. Igual quando, todo dia de manhã e afinal de contas, são tantas responsabilidades como largar meu emprego ocioso e embarcar em algo que nunca me pertenceu para poder sentar lá na mesma mesa de bar, e contar, se eximindo da culpa, que faz parte do cansaço coletivo dos que na labutam perde o amor a vida.
Enquanto tudo isso me alfineta sem eu quase não perceber, me encanto com o novo e me imagino ganhando na loteria e ir de mala e tudo para aquele apartamento bem pertinho da praia,com vizinhos intelectuais e moçada supimpa. Fumo em silêncio, enquanto a discussão me pede respaldo político, pensando que um cometa poderia passar por ali. Fazendo todo mundo ficar feliz. Aí sim, seriamos todos iguais por longos 5 minutos.
Bom,
algum tempo depois, cá estou de novo para falar de minhas mais novas aquisições literárias. Hoje fui a FNAC. Nossa, eu odeio a FNAC, não sei porque. Assim como não gosto Anis, eu não gosto da FNAC. Lá tudo é caro e aparentemente você irá encontrar todos os títulos do mundo. Balela! A parte de livros é bem fraquinha e a de CD também. Além disso, da última vez que fui lá estava passando um show da Winehause na Tv hiper-mega-plus digital que tem lá pra vender. E hoje, adivinhem? O mesmo DVD, e pra aumentar a loucurinha, a mesma música! Minha mãe disse; nossa, que coincidência! Eu falei: que nada, isso já é tédio no mercado mesmo. Enfim.
Fomos para a parte de gastronomia, muitos títulos ruinzinhos e os bons, muito caros. Acabei comprando o Guia das Especiarias de Monika Viliken. E depois uma coisa bem fofuxa, umas edições de receitas que ficam dentro de uma caixinha e custam bem baratinhos. Como eu desconhecia a autoria, comprei a caixinha da salada, com 50 receitas.
Saindo dali, parando no box das promoções, vi logo de cara um dos meus novos preferidos, Eduardo Galeano com o título, Mulheres.
Eu me apaixonei pelo Galeano no Maranhão, depois corri atrás dele na internet e fui amando cada vez mais. Já dei uma lida neste livro que comprei hoje e já semi me apaixonei de novo!

Aqui vai um mini relato que esta no livro:

Rosa Maria Mateo, uma das figuras mais populares
da televisão espanhola, me contou esta história.
Uma mulher tinha escrito uma carta para ela, de algum
lugarzinho perdido, pedindo que por favor contasse
a verdade:
-Quando eu olho para a senhora, a senhora
está olhando para mim?

Rosa Maria me contou, e disse que não sabia o
que responder.

Galeano é foda!
Parece que ele respira o mundo inteiro, pelo
nariz. Igual quando eu corto cebola e percebo que o que me faz chorar é o ardido que respiro. O ar-ardido vai pro olho, que não agüenta e faz lágrimas.
Acho que o Galeano vê o mundo pelo nariz.



-será?

Tuesday, November 04, 2008



Criaremos nossos filhos, pagaremos contas pela internet, faremos amigos imaginários, pediremos licença ao passar, obrigado ao sair e filha da puta ao não concordar. Odiaremos os políticos, beberemos cervejinha. Vamos ao super, vamos ao banco, vamos ao Guarujá. Compraremos a verdadeira maionese, sorriremos para os odiáveis, amaremos os que não amamos mais, faremos cheques sem fundo, sem valor, fumaremos cigarros.
E vamos chorar ao ver um filme, vamos rir dos preços das coisas, vamos revolucionar o mundo dentro de um apartamento (bêbados), vamos buscar as crianças do colégio, levar ao dentista, brigar por causa de uma escova de dente, arremessar as crianças no escuro e lhes desejar boa noite, foda-se seus medos, foda-se suas vontades, afinal, a casa é minha o pedreiro chega as sete e a empregada esta de férias no Capão Redondo, seu filho ta cheirando pó e a mais nova gosta de Xuxa e reza sem saber, pois papai é evangélico e Maluf constrói túneis e assim vamos alugar um Dvd no fim de semana e não fazer nada e descansar, pois a segunda é uma labuta e seu chefe é um ordinário seu marido um otário seu filho só lhe traz preocupação e cabula a aula de inglês e não quer ser mais escoteiro e outro dia você achou maconha dentro das coisas dele. Mas seu vizinho não pode saber você sofre de depressão, seu carro não têm seguro, suas dividas só aumentam e você chora e nem sabe porque e domingo tem fantástico e seu marido não sabe onde é o clitóris e mesmo assim você finge e não goza você come brigadeiro e odeia sua manicura e sente inveja de algo que nunca viveu pois pra você a vida é simples é boa é legal, é um patins.

Monday, November 03, 2008


Sexta-feira rolou uma avaliação no curso de gastronomia do qual estou cursando e adorando, diga-se de passagem, e o Chef disse palavras muito interessantes ao meu respeito; Isabel, gosto muito do seu trabalho, apesar de ver traços de desorganização, mas isso é o seu jeito, ta tudo beleza, só precisa tomar cuidado. No mais, tudo maravilha, você é pau pra toda obra, se relaciona muito bem com todos, esta sem muito bem disposta e tem tido bom resultado, seus feitos por aqui.

Sai de lá dando risada. Foi a primeira vez que eu ouvi alguém dizer que eu sou muito disposta. Que eu sou pau pra toda obra, também não sabia, mas adorei saber. Já minha desorganização, putz, isso eu ouvi a vida inteira. Ela é fruto de minha acentuada vezes nove mil, ansiedade. Aliais, parando para fazer um balanço, não há quase nada de bom neste meu distúrbio ansioso, e putz, já vou dizendo, tratar dela não é nada fácil. Já passei por inúmeras tentativas, desde de remédio, terapia, mudanças bruscas de vida, e ela, insiste em tomar fermento, crescer, explodir, me atirar para todos os lados, fazer de mim corredora da vida, às pressas, sem jeito, metade louca, metade mulher.

Porém, e sempre tem um, porém, ultimamente, tenho ficado muito ansiosa, como de praxe, mas também muito tranqüila, com a vida calma, com o coração carinhosamente calmo, com vícios moderados, e o melhor, tenho ficado disposta. Sim. Essa palavrinha querida usada pelo Chef para me avaliar, coube direitinho neste meu momento e eu fiquei feliz de ouvir isso de outra pessoa.
É bom acordar cedo, ter mil atividades, fazer coisinha, namorar, tomar cervejinha, gostar de ver a sexta-feira chegar, encontrar os amigos, ouvir um samba, fazer comidinhas. É bom alugar um filme, mas não quinhentos filmes e ficar o dia inteiro na frente da TV. Falando nela, minha TV, dia desses, queimou. É, pifou, apagou de vez, não liga mais. Aí eu penso que tudo tem seu tempo, num processo louco e maluco. Quem me conhece sabe de minha miopia, sabe como eu ficava com a cara grudada sentindo o calor da TV na minha cama vendo as horas passarem sem nenhuma disposição para atacar o mundo. Então, certa vez, numa tentativa de mudança, afastei bem longe da tv do meu rosto, para o outro lado do quarto e tudo foi melhorando. Então, eis que ela morreu, longe de mim, sem que eu pudesse sentir sua falta. Morreu e tudo bem, quem precisa dela mesmo?

Eu não tenho muitas supertições, não acredito em horóscopo, nem em cartas de tarô. Mas, eu adoro fazer metáforas psicológicas do equilíbrio da minha vida, com fatos bestas que acontecem no meu cotidiano. Como o quebrar da TV, no exato momento em que eu tenho uma disposição reconhecida e um companheiro para matar meu tédio.
Além disso, conto com novas pessoas ao meu redor e com um resgate que tenho feito de antigas amizades, numa tentativa de cercar mais meu coração de pessoas queridas, que valem a pena.Já outras, as que sumiram do mapa, talvez pra sempre se percam, e talvez isso, pode ser um ato frio de minha parte, mas não me fará falta alguma. Gosto dos sentimentos transbordados, das coisas quentes e dos abraços apertados e verdadeiros. Mas gosto também do respeito. Das visitas com cigarrinhos e cervejas e de novas pessoas que o tempo encaixa na nossa trilha. E também, das velhas intimidades.

Ganhei, perdi, ganhei, perdi, perdi, ganhei, ganhei.
Muitas vezes não fui, muitas vezes eu era a peça do quebra cabeça que não encaixava em parte alguma, muitas vezes a falta de meu pai, fez com que eu caísse como quem esperava por ele no meio do escuro. Muitas vezes, era difícil ficar de pé.Literalmente. E muitas vezes também, minha cabeça funcionava a três mil por hora e eu achava que ia ser atropelada por meus pensamentos confusos, sem nexo. Muitas vezes era difícil me olhar no espelho, fazer um texto com pontuação, decorar um bolo sem pressa. Acordar e cumprir com a vida.
Hoje, muitos são feitos aos poucos, e muitos deles, com carinho também. E pela primeira vez, e quem me lê sabe disso, pela primeira vez, ai que meda, esta tudo bem...
Igual àquela frase no meu braço direito, que seu cruza-lo, vai direto ao coração.

Friday, October 31, 2008


"OLHA A MINHA CARA DE QUEM GOSTA DE VOCÊ"


Este blog esta ficando interessante,
vou começar a responder aqui, para os covardes anônimos que insistem em emudecer ao me ver na rua, mas soltam as medrosas asinhas virtualmente:

Assim segue:


Anonymous said...
O elevado potencial que você tem para apontar o dedo para as pessoas e conseguir humilhá-las é inversamente proporcional à sua capacidade de olhar para si mesma e encontrar dentro de você os seus infinitos defeitos.
Pense: quando apontamos um dedo para alguém, existem três na nossa própria direção.


Direito de resposta. Pode né?
(já que na rua, você não quer encarar, vai desta forma mesmo).


Foi até bem bonitinho o primeiro parágrafo, já o segundo com essa frase manjada, vindo de você, pessoa tão culta e inteligente, não sei, esperava mais...

Agora covardia?
Sério mesmo?
Coloca o nominho aí, diga a que veio, me tromba na rua, olho no olho, pagar de anônimo faz de você um bobo alegre digno de risadas, bem dadas, bem altas, como eu adoro fazer. Que potencial, né?

Quanto a me julgar,
só mostra o quanto você é um preconceituoso que mal sabe a que veio, coisa bem pequena mesmo, dessas que a gente pensa e lamenta.

Não me conhece, -não ouse a me julgar-, ainda mais no anonimato.
Tem medinho de que? De ver a verdade, ou toda essa plenitude desabar diante de meus olhos?

Monday, October 27, 2008


O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica


Um belo dia a a gente acorda e hum...
Um filme passou por a gente e parece que já se anunciou o episódio dois
É quando a gente sente o amor se abuletar na gente tudo acabou bem,
Agora o que vem depois

É quando as emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos
E o mundo todo vira nós dois,
Dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
O Zoom in dá ré e sobem os créditos

O amor é filme e Deus espectador!

"- A gente devia ser como o pessoal do filme, poder cortar as partes chatas da vida, poder evitar os acontecimentos!
Num é?!?!"

“Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia – a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la –, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me mesmo seja de novo a mentira que vivo.”

Sunday, October 26, 2008


Carta a um bom rapaz virtual,
Carta um bom mentiroso real.

Começo lhe dizendo que ainda me rogo de certezas incrédulas que lerá e nada terá a dizer a respeito das coisas que escrevo. Assim como dificilmente foi possível acreditar em alguma coisa que viesse de você, ou de letras tecladas via MSN. O mundo, irreal é maluco e gostoso quando a gente lê Platão. Mas quando a força, roça a forca e o cerco aperta, pra onde correr?
E o coração? Se joga também, brinca de elástico e serve de descarrego para quem nunca viu o amor. Entenda uma coisa, eu hoje estou com raiva. Raiva por você ser tão mal agradecido, raiva por você mentir, desmentir e ora, agora, você aí, mentindo de novo. Levando seus amigos de cabeça de papel para seguir do seu lado como se uma pobre vítima precisasse de um ombro amigo.
Hilário, chega a ser hilário se não fosse o fato de quando você se fez de super homem, ilustrando coisas de sua mente doente, que mente e nem sente, estava tudo bem. Agora que a realidade deu três tapas na sua fuça, você se joga em ironia sua culpa em cima da pessoa que mais você prejudicou nesta historia toda, uhm, ainda não sacou?

Uma época eu pensei que sua inteligência fosse capaz de sobreviver em meio a tanto marasmo e mesmice que é sua vida atrás da tela. Hoje em dia, duvido de sua capacidade.Não da de mentir, nem a de beber, muito menos a de copiar seus amigos, mas a de ser você mesmo. Deve doer? Sinto muito, não sou culpada. Machucou, pois você não sabe brincar. E agora, uma super mulher, aquela a qual você dedicou suas inseguranças poéticas, se apaixonou por um homem de verdade, por mais um desses que você tanto queria ser, citou inclusive, que era você. E os dois, estão felizes. E a mulher libertaria, vai se libertando cada vez mais, até que o homem mentiroso veja que seu machismo é mais nojento que suas mentiras e que sua insegurança fez de você mais um fanfarrão. E que seus amigos, ah, isso eu aposto, soubessem da mancada que você fez antes desta massa virar bolo, ai sim, não teriam me tratado de maneira tão ríspida.
Você é babaca, e eu tenho dó.

Ass: "PEIXE VILÃO"

Thursday, October 02, 2008


Eu caminhava, as mãos soltas nos bolsos gastos;
O meu paletó não era bem o ideal;
Ia sob o céu, Musa! Teu amante leal;
Ah! E sonhava mil amores insensatos

Minha única calça tinha um largo furo.
Pequeno Polegar, eu tecia no percurso
Um rosário de rimas. A Grande Ursa,
O meu albergue, brilhava no céu escuro.


Sentado na sargeta, só, eu a ouvia
Nessa noite de setembro em que sentia
O odor das rosas, que vinho vigoroso!

Ali, entre inúmeros ombros fantásticos,
Rimava com a débil lira dos elásticos
De meus sapatos, e o coração doloroso!


Rimbaud

Thursday, September 25, 2008

"No Brasil, o fato é que nós só excluímos, excluímos, excluímos pessoas... E não preciso ser socióloga para saber o elementar: se tenho um brinquedo e não divido com meu irmãozinho, um dia ele vai pegar o brinquedo na porrada. E é isso que nós fizemos. Nós somos bonzinhos, mas deixamos nossos irmãos na fila do Inamps."

Elke Maravilha, maravilha de mulher.

Monday, September 15, 2008

Uma pedra gesticulou no tempo, com o vento que bateu aquela tarde. Meu vestido rodopiou a cidade poeira a sua espera. E era eu, a menina senhora de rosa no cabelo, fazendo sentido aos seus sussurros delicados de meia voz.
Uma ponte veneno, velharia sagrada de nós dois. Quem ali, meu bem, deu tanta importância aquele lugar?
Os olhos fecharam para se transformar. Piscando em pequenas aleluias que vinham brincar na luz. Os aconchegos, as brincadeiras de meninos com figurinhas no chão e sujeira no joelho eram toda minha felicidade se revirando com mãozinhas abafadas em cima das figurinhas. Quem hoje brincaria assim?
Você veio como um lindo dia, igual aquele que se abriu sábado.
E de agora em diante vou dar adeus a todos os escritos sofridos e confusos de uma mente abandonada.
Não há, meu caro, e me desculpe se assim te decepciono, nenhuma vontade de colocar os prantos em dia.
Meu coração pulula, é só alegria.
E é aí, que poemas me bastam. E é aí que a filosofia perde o sentido.
Então vamos descobrir juntos as mazelas do mundo, sorrindo.

Friday, September 12, 2008


Anjinho sapecou, uma, duas, três ruas tortas longe dali. Tortas de terra, de lua.

Thursday, September 04, 2008


Eu olhando pro tempo
(pausa.)
Ele regando por mim.

Thursday, August 28, 2008


Escorreu a vida pelas ondas de tinta da parede mofada que tinha uma goteira. As gotas eram sempre que chovia, para nós, um anuncio de mudança. As gotas, de va gar, divagado meu pobre entendimento diante de todas as totalidades previstas. Estourei um balão porque não suportaria a dor de vê-lo murchar e das cinco meninas, saíram cinco caminhos absurdos, indiferentes. Talvez lá na frente um ou dois, estariam cruzados, quem saberia? Destinos, destino. Pegou o sabor de uma framboesa e compartilhou aquela estrelinha de carambola rumo ao mar. Sentou-se na areia, coisa fina. Abriu os olhos pro céu azulzin de delicias e saudades deixadas e concluiu que foi mesmo muito importante caminhar. Contou com pessoas importantes e outras já nem tanto, aquelas que sabíamos que jamais iriam nos acrescentar em nada. E simplesmente sentiu falta de quem rumou sem dizer adeus. E tentava correr atrás de quem levava a mala para dar um passeio. E isso a preocupava muito. E se tiveres rancores na bagagem? Jamais se perdoaria de novo. Queria trocar os volumes. Queria colocar esperança mais ainda não sabia como manter a continuidade real das coisas.

Por outro lado mantinha uma vida reboem-delírios e sentia saudades das conversas com as amigas mais recentes, aquelas conversas malucas que se dão quando dois cérebros ligeiramente desequilibrados se encontram; queria lhes contar sobre o amor. Sobre sua nova casa, sobre sua barriga crescendo vida. Mas ainda não tinha nada com isso. Só um coração alimentado de sonhos e dores de saber que o homem ainda tinha outro status, o degladiante coração, bomba explosiva do meu maior alicerce poético. Pensava com ela mesma. Depois se olhava no espelho e concluía. Quem seria sua amada? Moraria longe, de certo moraria. Faltava um avanço de corpos, faltavam abraços. E ela também tinha a mesma queixa. E também muita vergonha de perguntar a ele se ele gostaria de ser um pouquinho triste e um tanto feliz junto dela. Se ele queria alugar um filme e se entreter no meio do cobertor para rir e se emocionar. Se ele queria andar no frio, suar no calor, pegar estrada, brincar com o cachorro. Mas se mantinha emocionada, se mantinha calada. A boca abria para sorrir quando ele lhe sonhava poesias. A vontade dela era desmentir os poetas, e assim, tornar verdadeiro, todos os gestos de amor.

Palavra; a moça queria engolir o mundo, mas o mundo veja só, entalou na garganta. E era tanto mundo para tão pouca garganta que volte e meia a moça ficava sem ar. E as muitas coisas que estavam pela metade, pela metade continuariam?
Não sabia o jeito de resolver a esse problema de querer ser tudo. Mas vivia sendo e cortando.



Por fim:

Dedico todos os meus delírios,
Fossas, abismos a quem possa vivenciar.
Se a caso, seu passo singelo testemunha intrínseca possa nos ver,
pule o muro.
Saltite meu passarinho
Não vooe ainda.
Primeiro aprenda a cantar

Monday, August 25, 2008


Eu quero o amoreco voando feito andorinha bem pertinho de mim.
Só meu
.

Tuesday, August 19, 2008


"Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir. "

Clarice, sempre ela...

Sunday, August 17, 2008


Foi uma jura
Que fiz de nunca mais amar
Ai, ai , ai meu Deus
Prá que que eu jurei
Todo mundo sabe
Quebrei minha jura, quebrei...

Thursday, August 14, 2008

Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus-ou foi talvez o Diabo-deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.

Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.

E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.

Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.

Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.


Drummond

Wednesday, August 13, 2008


Um dia, era o amor este traço marcante que me batizou, assim que fiz vida em meus passos. Eram gotas dos mais lindos suores, das mais lindas partidas. E então, corri pra ver. Não pretendo, meu amor, lhe sufocar. Nem tão pouco enxergar que tudo em você é amor também. Logo quem, logo eu que mal tenho olhos. Logo quem.
A brincadeira se perdeu no limite da verdade, e por convicção, da mentira também. E você sabe disso. Mais do que eu, você sabe disso. Sabe e disfarça, sabe e destoa. Brinco também. Brinco de falar o que sinto. Sinto muito. A percepção nunca invisível de dois atos brincantes, de atos força de luz. De você. O que quer me dizer. O que jamais vai me por em transparência do que és?
Aqui estou esticando meus braços. Estaria você, entendendo tudo errado? Eles querem primeiro te entender, eles poderiam, caso fosse vontade minha e só minha, te abraçar também. Você se lançou ao mistério, pediu-me paciência e se esqueceu de se imaginar no meu lugar. Onde eu sentaria para entender tudo que você cria? Se ao menos eu estivesse a par do que você é formado, quais elementos. Tudo seria mais fácil. Mas você se coloca em cheque, se coloca em outra. Sabe, você não se coloca também. E quer de mim não só paciência. Quer de mim tudo que posso dar. Além de minha eximia compressão absoluta de quem apenar quer olhar pra ti.
Essas são minhas confissões, e pode crer, eu sempre as fiz. Nada escondo. Eu quero seu melhor, eu me despi na sua frente. Eu desfilei meus problemas, eu pus na prática como seria. Você observou, e aos poucos, foi soltando essa mistura imaginária; entre a ficção que me assusta, entre o dilema de não me ver. Entre esse seu coração que invade o meu a cada dia.
Sou apenas um passarinho de assas tamanho médio que canta bem alto e pouquinho, mas gosta de voar até achar a melhor vista do galho da árvore. Você é só um passarinho. De assas tamanho grande que canta bem alto e bastante. Mas porque insiste em ficar dentro da gaiola?
Sou apenas, e desculpe, mas não posso e nem quero fugir disso, uma mulher que respira fogo. Cheia de medos e dúvidas que recebo todos os dias aqui deste lado. Não é tempo de ter medo, você disse. Não é hora pra isso. E quem entenderia? Isso não vai me confortar. Aqui, do outro lado, sou eu quem esta lidando com quem resiste em estar. E é meu coração quem te quer por inteiro.

Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Enquanto eles se batem
Dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia
Eu não tenho nada
antes de você ser eu sou
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
E só tô beijando o rosto de quem dá valor
Pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés

Tuesday, August 12, 2008


Ernesto Sabato- A Resistência-

Entrei na livraria Saraiva esses dias, atrás (pra variar) de um livro de poesias, quando me deparei com um livro bem fininho com o nome de Resistência. Eu adoro essa palavra. Resistir nos dias de hoje é tão difícil, por vezes, necessário também. O autor do livro, um argentino (sempre eles!) chamado Ernesto Sabato, a priore não conhecia, mas gostei do que pouco li e resolvi levar. Fazia tempo que eu não acertava tanto! O livro, fácil de ler, pequeno acabou em dois dias, infelizmente. Tratam-se de seis cartas que falam sobre a assustadora realidade que vivemos. Essa época cheia de enlances; terrorismo, internet, meio ambiente, liberdade, solidariedade, mercantilização da arte e a imaginação como forma de resistência à barbárie que avança. Uma verdadeira lição, com sutis socos no estômago que fazem a gente querer um espaço melhor para todos.

Por fim, hoje, pesquisando na biblioteca do Senac quem seria esse figura, descobri que ele é o autor daquele livro, O Túnel. Fiquei feliz em saber que esse é meu segundo livro dele. Pretendo ler todos. Com certeza valerá muito a pena.


Um trecho da pág 74:

..."Nossa civilização adotou um tipo de bem-estar como o "deve ser" da vida, fora do qual não há salvação. Esse objetivo é o alcançado graças ao medo e à incapacidade que hoje os homens têm de viver os momentos duros, as situações limites, os obstáculos. Temse particular horror ao fracasso. Oculta-se qualquer arranhão no bem-estar, tremendo-se ficar excluído, eliminado da existência como um time de futebol de um campeonato. Tamanha é a dificuldade que o homem atual tem de superar as tormentas da vida, de recriar a existência depois das quedas"...



Interessante, não? Curioso o livro ser escrito em forma de carta. Afinal, o que são as cartas se não relatos que nos chegam e esperam ansiosamente por respostas?

Friday, August 08, 2008


Quem me vê sentido
É conhecedor
Do meu jeito antigo
De guardar a dor
Eu tenho uma metade no meu lar
Metade exterior
Porque também sou pecador
Eu tenho a mocidade pra gastar
Um grande amor pela vida
E a benção do Redentor

Wednesday, August 06, 2008


Ainda resta um pouco de esperança...

Aula-1
Aula-2
Aula-3
Aula-4
Aula-5
Aula-6
Aula-7

Quando choveu era domingo e ouvi alguém dizer; nunca vi um dia nublado tão bonito como hoje. Eu sentei na fina crosta molhada de areia e fiquei vendo como o mar recebia a chuva. A violência era o instante que faziam as ondas. A chuva lutava na sumária labuta, incrédula. Já o mar rejeitava a toda e qualquer gota que do oceano não pertencesse. E foi assim, que eu amei.

Fiquei sentada esperando a dor chegar. Fiquei iludida com meus joelhos gastos. Fiquei conhecendo melhor a mim mesma e reciclei todo momento. Fiz novas interpretações e abandonei toda e qualquer vontade de me apaixonar por outra pessoa, se não você.

...Tanto de mim
Que distancias venci...


Eu olhava imaginando a sublime primavera chegar. Olhava para o domingo e você não estava lá. Sofri como uma otária em suas piores condições e agradeci aos céus de no domingo, não ser transparente. Se eu fosse, ninguém me suportaria no saguão, tamanha era minha ansiedade. Se eu fosse, e todos vissem o quão grande ela era, teriam me expulsado dali, alegando que ninguém tem o direito de se transformar tanto assim, por alguém que nunca vira seus olhos.

-O terceiro lugar-

Pensou nos romances antigos. Pensou gerar um romance qualquer. Mas não se livraria tão fácil. Retornou eternamente na desgraça que é amar. E sorriu discretamente porque gosta mesmo desta dor. Voltou a franzir e querer questionar o que aquele moço estaria fazendo de seu coração, e mais, com que direitos lhe atirava tudo que era, mas sem se mostrar. Que medo teria? Pensou ela em ser uma monstra que falava sem parar os maiores absurdos. E que o moço teria medo dessas monstras, desses absurdos. Pensou que era feia, muito feia e ele era lindo e tinha olhinhos de criança safada. Depois pensou que o moço era um louco, um louco, um maluco que estaria devorando seu coração bem devagar, sem dó. Depois não pensava mais em nada, só amava. E não resistia a todas as poesias que ele lhe enviava de presente. São minhas jóias, suspirou.

Tuesday, August 05, 2008

...Seu Djalma tenha calma,
você não perde por esperar...

Monday, August 04, 2008


Ah! O amor
Esse temporal
Quem buscou se refugiar
Quem largou
Fruta boa no quintal
Se guardou do carnaval
Pra ter paz no coração

Quem secou lágrima de amor
Acatou falsos rituais
Quem deixou
O seu grande amor partir
Pra depois cair em si
Calmaria é solidão

Samba levante essa voz
Se eu mereço perdão
Venha me redimir

Diga a verdade sem dó
Canto a vida que for
Que me encante o amor
Ele é um verso de Drummond
Eu sou um samba de Vinicius de Morais
Somos assim mesmo. Muito metidos hahaha...

Saturday, August 02, 2008


Eles nos pedem uma felicidade horrorosa, impossível, eles nos mandam e-mails de auto-ajuda, dizem que foram escritos por grandes escritores que jamais pensariam em tais bobagens. Eles fazem questão de mostrar como sorriem e são cercados de amigos, de como amam e são amados e de como a felicidade, para eles, é para sempre. Eles dizem aprender com os erros, mas nunca erram (!), eles dizem perdoar, mas recalcados, não perdoam. Eles dizem não mentir, serem bom caráter e eu ando desconfiando de minha personalidade.
Poxa, logo eu. Tão vacilona, ansiosa, furona, impulssiva. Logo eu, tão cheia de problemas, dentes separados. Preciso lutar para acordar e sorrir para tudo e todos. Para que minha foto no orkut seja a mais bonita, para que meus testemunhos sejam os mais profundos. Mas, porra, eu não lutei para viver cada dia como se fosse o último capítulo da novela. Eu não acho que todo mundo tem mais é que ser feliz. Eu acho tudo isso um porre, eu acho viver mais complicado que tudo isso. Eu acho viver mais bonito, do que só ser feliz.

Não me venha você esbanjar pela internet o quão é revoltado, na moda,inteligente,conhecedor, bêbado, baladeiro, feliz, feliz,feliz. A única coisa que posso esperar de pessoas assim, é a continuação dessa ditadura de falsa felicidade que evolui com uma globalização que joga todos meus direitos de sofrer, errar, perder pela janela.

Eles pedem para que façamos, pela internet, a vitrine de nossas vidas. Mas, caso sua vida, por “N” motivos não se encaixe nas opções dadas por eles, então meu caro vá ler um e-mail de auto-ajuda e procurar no Google um bom terapeuta, pois sua vida é fora dos padrões, logo você não é digno dela. Certo?

Friday, August 01, 2008


Que roseira bonita
Que me olha tão aflita
Pela chuva que não vem
Corro pego o regador
Ela me olha com amor
Sabe o que lhe convém
Sabe o que lhe convém
Às vezes falo ao acaso
Com a samambaia de um vaso
Em cima da janela olhando a baía
Em cima da janela olhando a baía
Usando telepatia falamos da vida
Sobre os amores das flores
E a força secreta daquela alegria

Wednesday, July 30, 2008

"Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa."

Rilke,sempre me emocionando...e mais e mais
É totêmico, já diria a Lu.
A gente tetra, depois penta, concluimos nós outro dia em pleno samba frio regados a Seletas e cervejas de latinha. Tinha uma senhora da velha guarda que olhou pra gente e disse; eu era assim! E a gente se olhou, achamos graça e falamos; que bom! Vamos então ficar igual a senhora!
E tinha uns amigos do Rio.
Daí a Julinha ficou rodopiando com o presidente.
E o Pedro ficou inventando palavras novas.
A Mari de luto tomava sua Absolut. Em silêncio.
E eu, bem eu ficava procurando alguém que nunca vai chegar. Assim mesmo, sem poesia.

Depois fiquei com o Paulinho da viola na cabeça:


Mais não se pode dizer
Nem eu, nem ninguém
Você é quem deve colher
Depois de semear também
Você é quem pode rasgar o caminho
E fechar a ferida
E achar o seu justo momento
A razão de tudo aquilo que chamamos vida

Vamos lá, deixa o coração
Recolher os pedaços do sonho perdido
Essa é a lei nos caminhos
Onde a ilusão e a dor
Fazem parte do primeiro artigo
Traços comuns em nossas vidas
Não justificam um conselho sequer
E logo eu, que procuro
Infinitas formas de amar e viver
Posso apenas declarar que o medo
É que faz a nossa dor crescer


Poeta desgraçado fodeu minha cabeça, nem pagou indenização.
Mas vai pagar o enterro, porque aqui estou eu, morrendo de amores.
De poesia. Esperando a sublime primavera...vai chegar.

Monday, July 28, 2008


Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

Pablo Neruda

Friday, July 25, 2008


Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.


Poeta,achei aquele poema guardado teu.
Como é bom...

Você tem trinta e um nomes. Trinta e um e noventa. E foi assim que eu aprendi a escrever nossos números. Foram vendo as fábricas trabalharem tensas de solidão. Foram 499 antídotos como bem relembrou uma doce amiga de alma volumosa. Dias de prata, eram comuns para aprender sobre os números. As tentativas nasciam sobre mim, sem força alguma. Iria ver sempre ao por do sol contigo. Mas a vida é um mistério e um dia você foi para não voltar. Você tem trinta e um motivos para não retornar e uma vida que te necessita. Você foi quem deu a maquinaria. Quem me soprou a vida e eu te queria por perto, mas cortamos as raízes e o tempo custou a cicatrizar meus pés sem asas que lançados a uma altura absurda, rendeu-se a voar. Tenho hoje, meu pai, trinta e um objetivos de vida e alguns poetas que me salvam quando eu anoiteço me lembrando do dia que vivi. Não posso ceder a mais pura vontade de sair vivendo por aí.
Tenho reparado, todos perdidos. Felizes? Não. Tenho reparado um monte de coisas lindas, sujas e você. Você moleque de asas quentes, algum mistério guarda para me mostrar no final da estrada. Quero ver? Você saberia melhor a resposta, não? Ofendi valores de uma menina que tinha o sorriso mais encantador que conheci. E um certo dia ela voltou para me dizer que eu estaria perdoada.Eu sorri com muita sinceridade, mas ainda estou me desculpando. Desejo a ti, menina-sorriso, que teu brilho nunca se apague. Desejo a ti, tudo em dobro e sei que um dia nos encontraremos mais satisfeitas com a vida.
Um outro rapaz que notou minha existência era um que há tempos me chamava atenção. Mas em tal momento, que é o atual, eu não aceitei. E ele era doce, um encanto, mas não via portas abertas como vejo de você. Tenho trinta e um amores, tenho trinta e uma derrotas. Motivos. Complicações de se ter trinta e um problemas. E quero de você trinta e um abraços sinceros, sem motivos aparentes. Só o coração deve sucumbir ao medo? Quem vai pagar por isso, se não nossas almas que almejam tanto as poesias de amor? Tenho trinta e um contos guardados e trinta e umas. Tenho trinta e uma formas de te querer. E noventa.

Tuesday, July 22, 2008

Ame
Seja como for
Sem medo de sofrer
Pintou desilusão
Não tenha medo não
O tempo poderá lhe dizer
Que tudo
Traz alguma dor
E o bem de revelar
Que tal felicidade
Sempre tão fugaz
A gente tem que conquistar

Por que se negar?
Com tanto querer?
Por que não se dar
Por quê?
Por que recusar
A luz em você
Deixar pra depois
Chorar... pra quê?


O mestre sempre sabe o que diz, acho que ele nunca vai errar...

-Pior que a morte é desviver

Wednesday, July 16, 2008

sómefodo.com

Todos os homens que passam pela minha vida existem. Já você, tem a terrível característica de não existir. E quando a gente conversa, eu fico com vontade de atravessar a rua e te encontrar no bar da esquina, abrir uma cerveja e sentar na sua mesa e mais. Mas você não existe. E quando me conta das coisas engraçadas e das piadas que só nós e um pequeno grupo de pessoas entenderiam, a gente se sente estupidamente especial, e é igualzinho para os dois. Mas o que não é igualzinho para os dois é como eu te sinto. E eu ando preocupada com esse sentimento. Fico imaginando tudo. E por você não existir, fica tudo mais fácil no meu coração azedo. E eu te conto coisas chocantes, e você com muita força diz pra mim que é isso aí. E eu te conto coisas para te chocar mesmo. E você me conta coisas doces, coisas lindas para que eu me apaixone por alguém que nem existe. E você me mandou uma música linda do Paulinho da Viola e dedicou a pior parte dela para mim. E agora eu me vejo escutando ela e rindo de você. E você nem ao menos, me procura para existir. E quando esta falando comigo, fala comigo horas e nós nos sentimos bem e tiramos um sarro, mas porque não fomos a diante?
Quando eu fui viajar, te comprei um presente ridículo, daqueles que nós, metidos a intelectuais adoraríamos chacotear. E ele é um presente que não vale nada. Mas valeria como desculpa para eu te ver. Mas você, meu bom, você esqueceu de existir. Talvez porque existir tudo que se moldou entre nós seja tão lindo que você tenha medo que se torne real. Talvez porque eu não te conheça de fato e esteja lidando com um maluco que abre caminhos para um novo acreditar e na verdade esta com outra mulher alegre e tirando uma da minha cara.Talvez porque eu fiquei maluca de vez e acreditei na sua existência. Mas eu detestaria acreditar nisso. E já que você não existe, quero acreditar no melhor de você. E já que você não existe, quero que me prove porque faz tanta diferença quando não esta. E para finalizar, já que você de fato não existe, porque esta sumindo tão devagar?

Mais um vez, somos vítimas desta classe( média) artística que ao protestarem, só jogam mais merda no ventilador


Foi-se o tempo que a classe artística, era também representante da classe intelectual e política deste país. Hoje em dia, temos que nos deparar com Regina Duarte indo para a televisão dizendo que tem medo, ou então, engolir um bando de famosos acéfalos, "se organizando" para apoiar o CANSEI. Aliais, alguém se lembra disso? Foi tão marcante que me esqueci. Mas era uma mistura de João Dória Junior com Hebe Camargo tentando falar de impunidade,se aproveitando de uma tragédia de avião, veja bem, logo quem.

Se não bastasse isso, hoje lendo o site globo.com me deparo com uma notícia um tanto quanto curiosa, a manchete era: Tico Santa Cruz lidera movimento de protesto no BlogLog. O Bloglog é um blog do site globo.com, onde muito artistas (de maioria global), postam suas futilidades para agregar mais lixo e imbecilidade na internet. Tico Santa Cruz, ficou mais conhecido quando seu amigo e guitarrista de sua banda, Detonautas morreu estupidamente em um assalto no Rio de Janeiro. A banda que nunca tinha tido muito êxito musicalmente, ficou a partir dai, em evidência pela revolta de Tico, que se tornou um cara digamos, preocupado com o mundo de hoje. Antes disso, nada parecia importar. Suas músicas eram odiosas, tocadas nas rádios graças aos jabás de sua gravadora, as letras nada diziam de importante e nem qualidade poética tinham. O fato é que Tico, sempre gostou de escrever em blogs. Reza a lenda que a banda dele, até se conheceu em um bate papo via internet. (Pausa pro nariz crescendo e para a vergonha alheia,uhmm ok.) Enfim, Tico em seu BlogLog, pede para todos os engajados artistas globais que também protestem contra o presidente do STF, Gilmar Mendes, que liberou o banqueiro Daniel Dantas.
Em seu blog, podemos ler um post falando de como o caso se desenrolou.Reparem o final do texto:..." CASO esse CASO venha a terminar como outros que acompanhamos, devemos então decretar um estado de exceção OFICIAL, onde a Constituição e os direitos de todos os cidadãos brasileiros devem ser rasgados e jogados nesse lixo imundo..." Mais uma vez políticos não são presos, mais uma vez a justiça parece falhar. Até aí, tudo bem. Nada contra um cantor de meia tigela que nunca fez nada para repensar nossos valores, querer reclamar do país que vive. O mais interessante da história é que descendo a página do blog, Tico coloca uma lista de endereços dos blogs de artistas que aderiram ao protesto. E aí meus queridos, começa a parte esdrúxula da história toda.

Abri o Blog de Suzana Werner, alguém lembra dessa? Modelo, atriz, casada com jogador de futebol. Bem, Suzana, escreveu exatamente essas palavras em negrito no seu sitio;" Fim da Impunidade! Faço parte desse protesto e quero ver um Brasil melhor para meus filhos. Valeu Tico! Vale a pena a conscientização. Bjs!" E logo em seguida a "atriz" da continuidade ao seu post sobre seu aniversário com frases do tipo; ..."Os taxistas trabalharam muito naquele dia HAHAHA..." tudo isso ilustrado com fotos da loira sorridente em um buffet de luxo carioca. Seguindo nos blogs que "aderiram" o protesto de Tico, estava lá Thiago Rodrigues; um grande ator merecedor de todas as novelinhas que já fez. Thiago, mais indignado que Suzana escreveu assim: ..." Ontem, ao assistir o Jornal Nacional, eu fiquei chocado. Engraçado é que as pessoas ainda se chocam com essas sacanagens...
Conversas sinistras desse Pitta com os mano doleiro e tal..." Os três pontinhos finais, ficam por conta de Thiago mesmo, ele não conseguiu explicar melhor o caso Pitta(a operação Satiagraha) e contou da vez que o encontrou num vôo. Disse que Pitta não conseguia olhar na cara de ninguém, de vergonha. Ora, seu eu fosse o Thiago também não conseguiria hahaha. Pitta é um bosta. Mas o Thiaguinho atuando é o que? Enfim.
O que eu queria dizer com tudo isso, e me desculpem escrever mal assim, é que toda e qualquer reparação que essa classe política,que essa classe média faz, é completamente nula aos olhos dos mais interessados.

Meus queridos, vocês não tem noção nenhuma do que escrevem. Vocês são a contradição em pessoa. Querem falar de impunidade? Que tal, Tico falar de jabá na MTV, rádios, canal Multishow. Quer falar de impunidade Thiaguinho? Bom, comece na empresa em que o sr trabalha. Vocês não passam de contribuintes para essa baderna toda e ainda querem passar um pano, pagando de revoltadinhos? Não consigo engolir. O que vocês fazem pela política e bem estar de nosso país? Reclamam! Protestam com a bunda na cadeira diante de seu computador, depois são pagos para irem a festinhas e serem capa de revistas de fofoca. E o discernimento nisso tudo? E quanto a manipulação, emburrecimento que o trabalho de vocês geram? E o fortalecimento que os grandes canais de televisão dão para o consumo? E o que vocês estão fazendo contra isso? Não me venha falar de protesto, vocês nem sabem o que esta palavra significa. Não me venha falar em repúdio político, vocês não tem esse direito. Não tem mesmo! Como é que pode uma mulher escrever algumas palavrinhas da qual ela nem sabe do que se trata e nem explicar o por que daquilo e ainda ter a pachorra de dizer que precisamos de conscientização!? Vocês entendem o grau de ignorância? Qual foi a importância que Suzana deu a tudo isso?.
Quer saber, ta ligado aquela nave que a gente tem vontade de mandar todos os políticos de merda para outro mundo? Vocês tem lugares garantidos nela também.


Quem quiser conferir os blogs que aderiram ao protesto de Tico Santa Cruz, acessem o blog do cantor: http://bloglog.globo.com/ticosantacruz/

Monday, July 14, 2008

Tudo o que mais nos uniu separou
Tudo que tudo exigiu renegou
Da mesma forma que quis recusou
O que torna essa luta impossível e passiva
O mesmo alento que nos conduziu debandou
Tudo que tudo assumiu desandou
Tudo que se construiu desabou
O que faz invencível a ação negativa

É provável que o tempo faça a ilusão recuar
Pois tudo é instável e irregular
E de repente o furor volta
O interior todo se revolta
E faz nossa força se agigantar

Mas só se a vida fluir sem se opor
Mas só se o tempo seguir sem se impor
Mas só se for seja lá como for
O importante é que a nossa emoção sobreviva
E a felicidade amordace essa dor secular
Pois tudo no fundo é tão singular
É resistir ao inexorável
O coração fica insuperável
E pode em vida imortalizar




Dudu Gudin, degladiador de cabeças sem nexo

Saturday, July 12, 2008


Seguiu-se para um viaduto que jamais iria parar em outro lugar do qual eu não pertencia. Seria difícil dizer o que se passava. Cabeça vazia é uma fábrica de sonhos da oficina do diabo. E o viaduto não acabava. Pedi para que parasse tudo, arrumei minhas coisas e me mandei dali. O outro espaço, foi sui generis. Conheci um céu, todo dia igual, todo dia diferente. E eles se encontravam no mar... E eu respiraria aliviada de amor, suando. Parou de ser úmido e ficou bastante frio. Ainda por cima, era feriado. Trombei um cobertor que me aqueceria e algumas roupas velhas que eu jamais colocaria de novo, se não fosse aquela ocasião. A ocasião contava muito, era eu, você dançando infinitamente. Mas estava tudo tão gelado enquanto eu rodopiava...E eu, rodopiei tanto que cai zonza, sozinha. Você estaria ali, assustado. Quem seria essa moça que dançava? Eu do chão te pedia; não tenha limites, não tenha nada para segurar seus medos. Mas era eu, tão insegura que estaria com medo. E o medo me fez feliz. O medo me fez renascer. E lá de longe, se alguém viesse me perguntar o que houve, eu jamais contaria a história toda. Toda louca historia da moça que girou sozinha em frente ao rapaz. O rapaz também fugia as regras. Parecia que nada iria detê-lo. Mas a armadilha, ele próprio, foi quem fez e caiu com receio. Olhava desconfiado e cheio de nostalgias, cheio de canções. E me contava distante, tudo que se passava. E me provava diariamente, que também não era deste mundo. Tinha eu, achado um habitante de meu reino. Estava na estrada, virando o viaduto já sem esperanças de encontra-lo. Pois quem veio, a muito já foi embora, e em todos se transformaram. Estava ela desolada, perdendo o cabo de guerra, sem forças. E o rapaz mostrava que tinha braços fortes, mas se duvidava se gostaria de ajuda-la. A moça ficou lá se esforçando. E sabem, bem...Ela esta até hoje ali.

Tuesday, April 29, 2008


Eu mal enxergo e isso de fato fez com que minha audição fosse afetada. Os ensinamentos de um pequeno colégio da esquerda burguesa pioraram mais ainda minhas perspectivas. Então, algo muito natural aconteceu, eu tive um surto modificador de pensamentos. Todos se assustaram e eu fui medicada. Depois fiquei com muita dúvida e saudades, então mudei de cidade. Hoje, ouço trinta vezes por dia Paulo César Pinheiro e Raphael Rabello. E o dia que eu achar a trufa de chocolate perfeita, minhas andanças terão sérias mudanças de rumo.

Minha mãe se culpa por ter me criado com bases construtivas e libertárias. Mas damos tantas risadas juntas, que a vida se torna mais engraçada do que chata e/ou triste. Sempre vamos a locadora e eu me embrenho em comédias inteligentes ou filmes cabeças, enquanto minha mãe aluga um filme idiota de ação. O que certamente mostra o quão mais inteligente ela é. Pois já não acredita mais no cinema, nem na educação libertária. E eu acho isso muito justo e por isso também, rimos pra caralho.

As pessoas sempre dão risadinhas dos meus modos. E eu queria ter unhas bem grandes para assusta-las como se fosse um monstro do lago. Mas eu rouo minhas unhas, desde de os sete anos de idade, e gosto muito. Primeiro eu as trituro com meu dente da frente, depois as engulo. Sempre me falaram que elas não são digeridas e eu ainda estou aqui.
Observo como as pessoas olham as diferenças e enfraqueço cada vez que um olhar me incrimina sem que eu possa ter feito nada a respeito de qualquer fato. Enfraquecida, volto ao espelho e me pergunto por que tanta gente por aí faz a loca. Se para mim, seria tão mais fácil apenas, ser.

Mas por tudo que passei e tudo que ainda preciso conquistar, é mais que um olhar de permissão das cabeças cozidas que andam todos os dias em busca de um plano de saúde mais completo. E minha mãe acha isso um absurdo. No final, eu sei que ela ainda esta certa. Eu só estou mesmo, com tudo isso, retardando o dia de colocar um óculos que me faça enxergar as coisas, como elas realmente são.

Wednesday, April 16, 2008

Nada me fará sofrer
Pois trago junto ao coração
O bojo do meu violão cantando
Nada me dá mais prazer
Nem mesmo uma grande paixão
Que o som das sete cordas do meu violão tocando
E eu me vejo a obedecer
Eu nem sei bem porque
E sinto uma transformação
E os acordes nascem sem querer
Sem querer desponta uma canção
E eu sinto o coração nos dedos
Passeando em calma
Afugentando os medos
Que residem n'alma
E deixo me envolver
Pelo braço do meu violão
E o peito meu, fibra por fibra
Apaixonado vibra
Com prima e bordão
E é aí
Que eu sinto a mão de Deus
Na minha mão
Eu me ponho a dedilhar
Com emoção e fervor
As velhas melodias
Cheias de harmonias novas
E nesse instante então
Eu sou um sonhador
Acompanhante das canções de amor
Chego a cantar sem perceber
Alguns versos e trovas
E aí começo a ver que eu nunca fui sozinho
Meu violão me acompanhou por todo o meu caminho
E isso eu quero agradecer
Fazendo uma canção, falando de você
Amigo violão
Que comigo estará
Até eu morrer
Nada me fará sofrer
Pois trago junto ao coração
O bojo do meu violão cantando
Nada me dá mais prazer
Nem mesmo uma grande paixão
Que o som das sete cordas do meu violão tocando
E eu que vivo a obedecer
Eu nem sei bem porque
E sinto uma transformação
E os acordes nascem sem querer
Sem querer desponta uma canção
E eu sinto o coração nos dedos
Passeando em calma
Afugentando os medos
Que residem n'alma
E deixo me envolver pelo braço do meu violão
E o peito meu, fibra por fibra
Apaixonado vibra
Com prima e bordão
E é aí
Que eu sinto a mão de Deus
Na minha mão

Friday, February 29, 2008

Eu vou te contar que você não me conhece
E eu tenho que gritar isso
Porque você está surdo e não me ouve
A sedução me escraviza a você
Ao fim de tudo você permanece comigo
Mas preso ao que eu criei e não amei
E não a mim
E quanto mais falo sobre a verdade inteira
Um abismo maior nos separa
Você não tem um nome e eu tenho
Você é rosto na multidão
E eu sou o centro das atenções
Mas há mentira na aparência do que eu sou
E há mentira na aparência do que você é
Porque eu não sou o meu nome
E você não é ninguém
O jogo perigoso que eu pratico aqui
Busca chegar no limite possível de aproximação
Através da aceitação da distância
Ou do reconhecimento dela
Entre eu e você
Existe a notícia que nos separa
Eu quero que você me veja nu
Eu me dispo da notícia
E a minha nudez parada
Me denuncia e te espelha
Eu me dilato
Tu me relatas
Eu nos acuso e confesso por nós
Assim me livro das palavras
Com a as quais você me veste.

[Fauzi Arap]
Tem uma música do Raul Seixas que diz assim:..."quando acabar, o maluco sou eu!"...
É bem por aí, não?
Tem gente que se dá muito bem ao ser chamado de doido, faz de tudo para aparecer um. No meu caso, eu fujo disso a toda hora,mas acabo sempre ouvindo um comentário ali,outro aqui que sou meio "maluquinha", como diz a Zélia.

Tá certo que na adolescência eu não estava nem aí,e queria mesmo é que todo mundo se fodesse. Mas os anos passaram aumentando minhas inseguranças de mulher. E a culpa de não me encaixar em várias situações, sempre caia na minha cabeça. Como se o porque de tudo, fosse apenas por eu ser "doidinha".

O mais louco (e isso sim é louco) é que eu vejo as pessoas ditas "normais" fazerem as maiores doideiras do mundo, transgredindo coisas que eu jamais faria. E o mundo acha normal. Mas no meu caso, basta eu falar uma frase, que já me olham com um sorriso de dó, indignação tudo coberto com uma frasesinha maldita: ..."ah Isabel, só você mesmo"...

Talvez por isso, eu dê tanto valor para os meus amigos. Pois eles sempre me respeitaram como sou, pois sempre numa situação dessa, jamais iriam sorrir desconfortávelmente para mim. Pelo ao contrário; mesmo eles sendo totalmente diferentes de mim, sorriem concordando com minha visão, ou descordando, mas jamais rindo com ironia e pensando; ai, ai, que mina louca.

Tem dias que eu gostaria mesmo de ser "normal", dai vocês podem pensar, mas o que é ser normal? Ah meu povo, quem não é, sabe quem é. E quem é, acha que não é. Por isso tentam essa filosofia barata. Eu gostaria de ser vista como alguém normal, mas no fundo sei que esta glória não é minha. E talvez, um dia eu aceite essa idéia de ser maluquinha mesmo para os outros. Mas não vou negar, isso me incomoda.

Outro dia um conhecido meu disse; ela é doidinha MAS é legal. Prestem atenção na frase, o MAIS fala por si só, não? Na cabeça dele, isso foi uma forma bacana de elogio. Na minha, foi uma frase totalmente sem nexo. Mas claro que nesses casos eu não vou a fundo nisso tudo. Não vou por a pessoa na parede e perguntar porque ela me acha doidinha. Porque eu sou toda tattooada? Por que falo sem vergonha de todos os assuntos? Por que ser moralista esta longe de ser quem eu sou? Sinceramente, eu não entendo messssmo. No fim, acabo sendo uma pessoa engraçadinha. Maluca, MAS legal. Eu gostaria de um dia, pelo menos ouvir que eu sou "doidinha E legal" hahahaha, seria mais justo, não?

Monday, February 25, 2008


Tenho sido amante das madrugadas, das probabilidades, das estatísticas cruéis. Tenho andando com perspectivas anônimas, recursos sem pilhas, vontades ao léo. Tenho vivido ao meu bel-prazer, como se já não bastasse, é esse meu nome. Tenho me apaixonado pelo impossível, entrando e saindo do coração de homens corajosos. Bons de luta. Tenho vivido o medo do raio. Como e anseio dias lindos onde encontro a minha felicidade no fundo do mar e me banho na borda para que a razão não limite meu sucesso. Tenho esbanjado sorrisos e feito muito gente chegar a conclusão que é o máximo. Tenho dado meu máximo. Tenho a conquista do muro para rachar. O carinho escondido a força macabra e o encanto pelas coisas esquisitas que fazem meu coração bater feito ouro em mina. Tenho saudades da Guanabara, tenho raízes no centro. Tenho feitos dias quentes quando só chove ao meu redor. Tenho um plano, tenho um milhão deles. E uma alma lotada de intenções sem fim.
...vamos brindar o cansaço, meus amigos vamos brindar o cansaço
esse é o prêmio pra vitória do boêmio...
-Candeia





Quantas loucuras e uma mulher de fusô preto e blusa branca estilo hippie com chinelas brancas também, ascendia um cigarro. Vestida de óculos escuros, animada com a chuva que caia e revendo velhos amigos que saudavam num misto de tristeza e alegria, naquele velório. Tinha um bebê que dava continuidade ao mundo. E muitos cigarros e cocas para que não comeu o dia inteiro. O choro, cheio de lágrimas e abraços sinceros. E más lembranças de uma turma que não acordou para ir até lá.

Os olhos de Paulinha revelavam um cansaço e também refletia o tamanho infinito de seu coração. E ao seu lado uma amiga que sempre, sempre eu sei que vou poder contar. Ela é tão linda e pequenina, mas tinha óculos pretos bem grandes e me deu um abraço quando as lembranças de velório passaram por mim. Eu lembrei de todo sofrimento que vivi. E isso me fez chorar; saber que Laura também vai ter dias de dor. E mais um longo processo de sei lá eu o que, do qual não se escolhe, mas se passa. As outras amigas queridas também estavam lá, e o dia parecia estar triste com tanta gente que chorou no pequeno espaço cinza. A imagem que não vai sair jamais da alma. Dei um abraço apertado e merecido. Pedi forças, e que Deus ilumine a todos que nele acreditam.

Depois dormi com os cabelos alisados, num sono profundo sem ter tempo de acordar antes para sair num sábado à noite. Despertei de madrugada num calor de voar dali, mas o corpo não estava mais ligado. Chegou o domingo e tivemos um almoço em família. Daqueles que tínhamos quando você era vivo e gostava de cozinhar. A gente deve muito ao mundo. Deve aproveitar, deve viver cada segundo, deve isso, deve felicidade, deve agradecimento, deve, deve sorrisos, deve dinheiro. Porra nenhuma. Vou sair dessa, devendo.

Devendo uma faculdade, devendo um diploma fodido, um emprego de status, um carro zero e um marido incrível, um casamento feliz, um cachorrinho filhote. Vou ficar devendo aos meus cabelos brancos. Prefiro ir pegar micose na praia. E dever uma alimentação melhor a mim mesma. E que em minha busca, eu nada tema em dever, nem me culpe por não aproveitar. Sei que sempre dei meu máximo. Muito também é falta, assim dizia o samba rasgado, enquanto eu sento em frente ao fogo e com a brasa mais fraca, ascendo à vida.

Thursday, February 21, 2008


Roi todas. Todas de angústia e saudade. Todas por saber que o mero egoísmo daquele moço o fará com que ele se esqueça de mim tão logo. Quão louco. Maldito rapaz, um dia ainda lhe acerto uma porrada no meio da fuça. Aquela fuça grande. Um dia ainda furo os pneus do carro dele. Os quatro. Sou boa nisso. Mas minha mãe, muito sábia e mulher consciente, disse para que eu não tentasse a violência. E sim o não ato. Não ligue, não faça, desista. Ela ainda me diz, que ridículo, esse cara é um galinha! E eu queria falar para minha mãe; amo esses bichinhos. Se pudesse vivia num galinheiro sofrendo pelos cantos, vendo as penas desses moços cheios de medo, voar pelo céu azul de um dia lindo. Meu bem, ele disse; fazia três anos que eu não sentia isso. E hoje, veja bem, olha lá com quem ele esta. E minha mãe, essa dá graças a Deus e diz; e você ainda volta por causa dele? Eu juro que não, mãe. Te juro. Mas engraçado...tudo muito superficial e desprezível. Até o momento que eu senti uma saudade esquisita só de conversar. De verdade. E sei que ele é do tipo desgraçado mesmo que não esta nem aí. Ta na pior, sou muito boa de papo, acreditem. Ele me dizia; olha o que você faz comigo! Até pelo MSN. E eu do outro lado da tela ria muito.

Sabe, pode-se dizer que quem não amou, não viveu. Não vou de contrário. Mas quem não consegue sentir saudade, quando a tem, e eu sei que tem mocinho, ah sei. Esse sim meus caros, esse ainda, nem nasceu. Vou deixa-lo no útero de uma namorada materna, bem cuidadinho. Quando ele nascer, pego pra cristo. Certo?

Thursday, February 14, 2008

-Pastel de Chocolate-

Foi engraçado como o dia amanheceu claro só de um lado. E como o tempo passa, e a gente vai pondo mais vida na alma e a alma mais vida na vida. E como por pouco a gente se esquece das pequenas e melhores risadas e carinhos e abraços que recebemos. Ou quando uma velinha faz com que você ganhe o dia, e outra te faz ficar com ódio. Então, você ouve uma música cheinha de sentidos e olha para o céu e vê que ele não é da sua cor preferida. Aliais, qual é sua cor preferida? Talvez a felicidade esteja na hora do almoço, onde a arma esta na mesa, e rola um fascínio imenso por tudo que se desconhece. Por um filme que desconhecemos o final. Pelo seu final, que ainda esta longe, mas que já brilha de tão bonito. Por saber que existe um pastel delivery, por saber que são poucas as pessoas que olham para o mundo e pensam que muita coisa ainda não aconteceu. Sabe que isso é um bom motivo? Um bom motivo para viver, é um bom motivo para morrer? Se morrer, a quem vai fortalecer? A vida cheia de encantos, e raros momentos de felicidade batendo na porta, e um barulho de vento infinito, barato, rude. Passou-se tudo pela sua cabeça. E outros mil sentimentos que jamais hão de ser descobertos, pois o ouvido não permite a razão explodir. Os corações não contem olhos. Os olhos estão para o mundo. O mundo é seu. Nada do que você me disser, vai mudar o que penso. Tudo que você fala para a vida, me altera, altera alguém. Até aquela pessoa que você odeia, até tudo que você ainda é muito nova para saber. Ainda somos. Por isso não vou permitir tão omissão com um certo lance, chamado viver. As mãos podem tocar o infinito da sua alma dourada. Essa não é a cor do céu. Muito menos, ao meu ver, sua cor preferida. Mas encare tudo isso de frente, pois é a cor de sua alma.

Monday, February 11, 2008


-Reconhecimento-

Receio ter abraçado você tão devagar a ponto de não ver em mim uma nova possibilidade. E ao me deixar, ficou comigo a dança dos seus olhos difíceis. Como no dia que chovia tanto, a ponto de sentirmos medo. Desde de o começo, nunca te pertenci. Eu me ofereci para ser sua, com meus talentos marginais, os mesmos que te atraem, somente de noite. Eu não me canso de por em jogo meu coração multifuncional. Mas eu me canso de ouvir que o meu jeito é muito para você. No fundo, meu jeito tem sido muito, para todos. Até mesmo para mim. Como em uma ação onde eu perco o jogo de xadrez para mim mesma. Devastador. As peças se acabam, enquanto eu mergulho no mar e sinto que nada, mais nada neste mundo pode ser melhor que um dia na praia. Eu perco o jogo, mas saio da onda cada vez mais intensa. Com meus passos leves, saio do mar e sei que as ondas nunca vão se cansar. Sei que nunca vou me cansar também. O jogo perdido ainda esta na minha cabeça: em que momento minha peça deu um passo em falso? As ondas seguem, num ritmo só delas. Eu sobrevivo. Arrisco um sorriso muito, mas muito honesto de felicidade absurda, e logo depois, veja só, cai uma lágrima oportuna. Eu poderia me esconder, igual quando brincávamos no vilarejo, mas prefiro, mesmo com o jogo perdido, seguir enfrentando as ondas. O mar me quer assim.
Não conheço outro segredo para esta felicidade sem fim.

Tuesday, January 22, 2008


.eu poderia ter sido melhor.
.eu poderia ser a potência do planeta.
.oh lordy, eu poderia te fazer muito mais feliz.
.a todos vocês.
.mas honestamente, deixei o coração seguir caminhos esquisitos.
.vocês já sabem de minha queixa.
.eu procuro pessoas para provar que elas existem.
.pessoas que duvidariam de mim, que vão morrer não acreditando.
.mas lordy, oh, como tem sido difícil encarar essa vida moderna,.
.esses desejos incontidos...
.eu poderia rasgar a vida, te amar e ser feliz para sempre.
.ser o orgulho da mamãe.
.mas eu não consigo.
.desculpe.

.como chove nesta cidade.
.baby,como chove.
.vou encher os baldes de sua solidão com as gotas que cairam do céu nesta tarde.
.você promete guardar segredo?.
-De unhas-

Escolheu unhas bem laranjas, bem laranjas. Escolheu um cabelo que estaria saindo de moda, e o fez voltar. Escolheu praia e pessoas que certamente jamais seriam de seu convívio social, no outro lugar. Mas decidiu que o outro lugar já estava velho demais, e era outro mundo. Situou os cabelos na nova era. Ainda quis pintar os olhos, como sempre o faria. Decidiu unhas mais laranjas ainda e achava engraçado o quanto se falava dela. Ria por dentro, e por fora só sorrisos e muitos olás e muito prazer. Eu não sou daqui, nem de lá, tentava dizer a todos. Mas todos entendiam que ela era de lá e pronto. Então, ela concluiu que sua identidade ainda estaria muito presa no outro mundo e achou que isso era tudo bem.
Todos os dias de manhã, batalhava para enfrentar a alegria do dia. No fim da tarde, se orgulhava de tudo ter valido a pena. Sorrindo por dentro e gargalhando por fora, dormia tranqüilamente imaginando aquele homem fazendo uma declaração de amor do outro século.
Escolheu unhas vermelhas e foi bem longe de onde estava. Escolheu viver para optar por mais fugas. Escolheu viver por optar mais realidades. Escolheu que assim viveria esperando aquele homem se virar e dizer; eu admito! É você. E ela daria mil sorrisos lindos por dentro, e um bem discreto por fora, mas nada falaria. Pois saibam que o homem quando lhe roubou a alma, também lhe roubou a voz e a paz.
Escolheria unhas branquinhas, quase transparentes quando queria demonstrar a si mesma que poderia ser bonito ser equilibrada. Depois despontaria tudo num romance com qualquer um. E vivia sonhando no dia que qualquer um, viesse se declarar.
Escolheu unhas pretas, mal feitas, e disse para o homem qualquer um belo de um sinto muito, mesmo achando tão bonito tudo que ele lhe dissera. Achou uma pena por dentro, mas por fora, disse sentir orgulho dele estar sendo tão sincero. Lembramos aqui, que as duas sensações foram igualmente verdadeiras.
Depois roeu todas as unhas, até elas ficaram impossibilitadas de cor. E por isso, suplicou para aquele homem que se deitasse com ela. Sorriu com medo por dentro e por fora. Depois dormiram juntos, bem juntinhos.

Sunday, January 20, 2008


Foi logo depois da tempestade que você aprendeu sobre aquela garota. Que nem soube se contentar direito sobre o poder que a natureza conseguia comportar. Que a chuva era pesada, comia todos os cantos secos daquela cidade. E que o chão de areia ficou com uma camada dura. A garota não se importou com nada. Ficou sobrevoando as cenas mais bonitas que dentro da sua cabeça se concluiam igual no fim do filme. O fim do filme era ele fugindo de moto para Califórnia. A garota adaptava. Conhecia tanta gente ao mesmo tempo, que não sofria desamor. Depois, aos pouco, foi aprendendo. E toda vez que a realidade ousava bater na porta a garota iniciava um novo ritual capaz de extravasar toda e qualquer situação que a botasse a par de tal. Ela sofria prisioneira, mas depois dormia tranqüila. Dia após dia.

(Iniciamos aqui uma gota de chuva que passa nas asas do pássaro e surge então um atrito comum. Senti uma lágrima de chuva, uma lágrima gota de água salgada vem de mar, de nossos prantos. As nuvens eram para sempre e foram embora não ser. E tudo, tudo que você possa imaginar, já passou por este lugar.)