Monday, May 28, 2007


Traduzindo janeiro...



Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
E nos teus braços que ele vai saber
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez
O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei pra ti
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues
Não me tentes
O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua Deusa, meu amor
Alguma coisa aconteceu
Do ventre nasce um novo coração
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
Baby, baby, baby, baby
O que fazes por sonhar
É o mundo que virá pra ti e para mim
Vamos descobrir o mundo juntos baby
Quero aprender com o teu pequeno grande coração
Meu amor, meu amor

Saturday, May 26, 2007


No mais, estou vivendo normalmente
Não vou ficar pensando
Se tivesse sido o contrário

Estou feliz
Mesmo sozinho
Esse silêncio é paz
Nesse momento cai
Uma forte chuva
E quem vai ficar chorando?

Thursday, May 17, 2007

Friday, May 11, 2007

Ida


Preciso escrever no silêncio. O silêncio que divide suas parte do espelho que me encara. A outra parte sangrava, enquanto eu olhava aflita ao brilho apagado de meus olhos pequenos; mal abriam, mal fechavam tranqüilos. Dormi muito. Nunca acordei.O tempo ditando os milésimos de destinos e minhas oportunidades voando pela janela, pela janela de madeira grossa, de madeira escura, igual tem em Boracéia. Fingi nada ver, finjo tudo. O olhar desviado da minha guerra particular, interna, secreta, sozinha. E o espelho refletindo que eu não queria ver. Preciso prever o silêncio. Precisei viver. Não pude. Precisamos todos:

O sol queimava a pele, que logo ardente, descamava. Pegaria a estrada, logo estaria no aconchego de meu lar. Meu lar que tinha meu cenário, o espelho e o silêncio. O olho fechado demais, e eu tinha que dar ouvidos a todos que me diziam que o olho era o espelho da alma. Que bobagem, eu pensava. Meu olhar mal via a destreza da realidade,e eu ria de tudo isso. Foram anos numa batalha ingênua, perigosa. Eu me esquivava dela, alucinava, ria, fazia todo mundo rir também. Seduzia a todos para entrar no meu jogo, e as pessoas se revezavam, depois voltavam a realidade. Eu não.

Até um dia que ela descobriu meu endereço. Bateu na porta da minha casa, vestida de preto. Não errei ao dizer que sentia, não via, não havia. Mas ela jamais quis previsão, eu não aceitei. Me armei mais forte ainda,queria vingança. O espelho parou de doer, porque os olhos gastos já não se incomodavam em não enxergar a alma. Pouco queria de mim, pouco me pedia. E o mundo sem alma foi à liberdade mais venenosa que eu já provei. O sol queimava e doía muito, mas logo passava, assim, eu esquecia que um dia já tinha sentido dor. Os cachorros latiam, a casa acordava relativamente cedo, eu podia ouvir o barulho do aspirador de pó sugando a poeira da minha inércia, mas eu, nada fazia. Esperava o sono vir de novo, esperava a noite cair e ia, ao estilo dos olhos de quem não vê, para fuga. A fuga era um pedaço divino do meu dia, as fugas eram de ouro meu chapa. Eu estava ganhando a batalha, seduzia o tempo, o dinheiro, as pessoas, seduzia a realidade. Eram bons momentos, não vou negar. Eu ria alto e olhava pro lado, sempre tinha alguém me olhando e eu pensava; Olha mais, olha bastante, essa daqui que você esta vendo, é quem eu queria ser. Todo mundo acreditou que era eu quem estava ali, e minha malícia começou a me envolver também. Quando nada é de verdade, o silêncio é traidor, então eu gritava. O veneno, primeiro me cegou devagarzinho, tirou o brilho dos meus olhos maquiados de preto, de luto.Depois o veneno me conformou. E então, foi a pior parte. Eu andava no escuro, viva de farsa. Até que cega, não vi o precipício, e cai.

Fui abandonada no túnel que me levaria à razão, o túnel da vida. O pior lugar do mundo, até aquele momento.

Ela veio me dizendo que ganhou o jogo, me ditando as regras, me garantindo que se assim segui-las, poderia me sentir melhor. Eu estava ignorante, assustada. E as coceiras voltaram, por que as coceiras eram o veneno saindo, a farsa passando e tudo isso doía muito, muito, dói até hoje. Dói agora.

Nesta tarde cometi erros, amanhã vou cometer tantos outros, e por aí vai. Mas nesta tarde o ato de cometer, foi terrível. Doeu por um motivo, e eu quero explica-lo: já vejo o brilho perdido, voltando aos meus olhos, ainda maquiados, de preto alegria. Já não temo o espelho que reflete a verdade.

Você sabe de uma coisa? Tenho lutado para saber também.

Friday, May 04, 2007

Caio Fernando de Abreu


Como se eu estivesse por fora do movimento da vida. A vida rolando por aí feito roda-gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros. A linguagem que eles usam para se comunicar quando rodam assim e assim por diante nessa roda-gigante. Você tem um passe para a roda-gigante, uma senha, um código, sei lá. Você fala qualquer coisa tipo bá, por exemplo, então o cara deixa você entrar, sentar e rodar junto com os outros. Mas eu fico sempre do lado de fora. Aqui parada, sem saber a palavra certa, sem conseguir adivinhar. Olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota - tá me entendendo, garotão?


Nada, você não entende nada

Thursday, May 03, 2007


Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo.

2000 mil anos


Veio então o que a anos se escondeu. Brincávamos assim. De falar que amando a gente escrevia melhor, choramos lado a lado. E rimos muito também, mas, sabíamos que no fundo, não havia cura, para a tal doença vida. Ela veio e foi embora, mostrando que as juras, não tem valor. Mostrando que o que era pra valer, é o que se sucede e não, o que se promete. A vida demonstrou encanto, os caminhos opostos e hoje eu queria telefonar e dizer: fizemos tudo errado amiga. Fizemos tudo, nada viveu daquilo, nem os ideais, nem nossos homens, nem nossa amizade. Mas o mundo, cheio de encantos, veio e levou. Destinos turbulentos para achar a vida real, para achar o que vamos levar até o final. Ouvimos uma linda música que falava de nós mesmas, depois nos perguntamos e contamos todos nossos sofrimentos, ascendemos um cigarro e vimos o quão chavão é essa vida peculiar: Existe a beleza de ser um eterno aprendiz, existe uma vitória para cada um de si.E mil derrotas fantasiadas de risadas escrachadas.Um belo dia, você cai. E o tombo é tão feio que o mais difícil agora, é levantar sem tomar um copo de cerveja. O tempo urgindo na sua orelha e você fazendo de conta que ele ainda estaria por vir. O sol se pondo em uma finalmente tarde de frio. E todas as nostalgias possíveis daquelas de emocionar corações calejados, aqui. Você percebe pra onde gira o parafuso, entranhas são razões comedidas pelo silêncio da alma. E elas querem fugir. Você entende, mas não agüenta. Teve uma vez, que vi meu pai muito doente em uma cama de hospital, e eu disse, mesmo com ele já inconsciente, que o amava muito, falei bem alto; entendeu? Você esta me ouvindo? E com a cabeça, meu pai fez que sim. Depois, nunca mais nos falamos, e a vida ficou diferente, como só ela poderia. Você pode se guiar pelas pessoas ao seu redor. Você pode depender delas até seu final. Eu vi meus amigos indo embora, embora, embora e eu não fui com eles. Eu de longe brindei com um copo, e hoje, talvez faria tudo igual. Depois, vi os mesmos amigos fazendo a linha da vida seguir em frente, enquanto que eu, recuava a cada comentário que ouvia. Enquanto que eu me perdia na angústia e no vazio, fazendo com que a vertigem fosse necessária. Vi alguns amigos recuarem também; eu estava sentada na cadeira, e abri um sorriso largo e acolhedor, disse: sejam bem vindos novamente. E eles se sentiram mal. Eu já estava ali. O dia da queda foi o dia mais importante da minha vida. A insustentável leveza do ser talvez explique toda a fragilidade, mas ainda não entendo do meu vazio. O dia em que eu cai, era domingo pra segunda. Lembro que comprei o jornal na praia. Lembro. Foi um dia de sol e mar e de sorte no jogo. Azar meu. Depois eu lembro do mal estar na casa de Laura, depois eu lembro do cochilo bêbado no sofá e Leninha chegando-“dormeee doidão,mil fita acontecendo e ce aí, no bem bom-...Putz,que horas são?” Depois a queda, o coice: Carnaval. Todas as escolas passando pela avenida desfilavam minha tristeza.E eu chorei no telefone aquele dia, dizendo à Flávia que não ia voltar, que eu não agüentaria de tanta angústia. Ela entendeu. Em seguida, tudo foi recolhimento, foi como nascer de novo, eu juro. Foi como nascer de novo, andar de novo, falar de novo, amar de novo, tudo novo. E eu ainda estou aprendendo. O resgate de Jéssica: Passaram-se intermináveis três meses, todos me procuravam, e eu, alegava insanidade. Foram longas noites de recusa, de entendimentos. Foram longas noites e dias cinzas encolhida na parede chorando e gritando; faz parar! Faça tudo isso parar, por favor! Preciso de um sonho que se sonhe só: Um sonho só meu. É incrível, ele esta se realizando. E o fecho de luz que entra todo dia de manhã tem mais dourado que todos os feches somados de muitas vidas, até da minha vida, á alguns anos atrás. Resolvo aceitar viver de verdade, e é uma alegria só.